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| Pedrinelli: compressão dos dedos pode causar
lesões |
Não é de hoje que os saltos estão na moda.
Na corte de Luís XIV, marco do absolutismo francês,
o charme era calçar chamativos sapatos com saltos vermelhos.
Por muito tempo, os calçados com salto foram privilégio
da nobreza, e importante marca de status. O tempo passou, o calçado
se sofisticou, ganhou novos modelos e os saltos foram ganhando outra
função: sensualidade. Pode-se dizer que o apogeu veio
nos anos 50, quando Roger Vivian desenhou o salto agulha para Christian
Dior. O resultado: bumbum empinado e seios para frente. Elegância
e sensualidade combinadas.
Infelizmente, muitas vezes o uso freqüente do salto traz
alguns problemas. Nem toda mulher que usa salto alto, porém,
os terá. Mas muitas poderão sofrer dores nos pés,
tendinites, joanetes e dores na região lombar. Não
se trata de condenar ou defender o uso do salto alto. Ele é
uma realidade dos nossos dias, um fator estético. A mulher
se sente mais bonita quando usa salto alto numa festa. E muitas
necessitam do seu uso por causa
do trabalho.
Cada um dos pés possui 28 ossos, que formam várias
articulações sustentadas por centenas de ligamentos
e dezenas de músculos. Se a pessoa está descalça,
o peso do corpo é distribuído por toda essa estrutura.
Mas se calça sapatos com saltos, ela coloca praticamente
todo o peso no antepé, nome dado à parte da frente
do pé e aos dedos. Quanto mais alto o salto, maior o peso
na região. Ao caminhar, aumenta ainda mais a pressão.
Ao correr na ponta dos pés então, estas forças
são multiplicadas várias vezes. A pressão é
imensa.
Daí, surgirem dores nos pés ou doenças como
o neuroma de Morton, inflamação dos nervos da planta
do pé. A reação inflamatória é
pior no sapato de bico fino. A compressão dos dedos favorece
ainda mais o surgimento de problemas. Exemplo típico é
o joanete, desvio angular do hállux (dedão), que,
de tão comprimido, desvia sobre os outros.
Se por um lado a pressão é grande na ponta do pé,
falta a mobilidade adequada da parte de trás da perna. Com
o calcanhar nas alturas, o tendão de Aquiles fica encurtado.
Habituado com a retração, pode surgir a tendinite.
Os principais sintomas básicos são a dor e a dificuldade
para andar descalça.
Os problemas não param nos pés. Podem comprometer
até os joelhos que, por causa do salto,
são flexionados o tempo todo. Um caso habitual é a
condromalácia patelar, dor nos joelhos causada
pelo desgaste articular provocado pela posição. Muitas
vezes, os problemas também alcançam a
região lombar.
Ao alterar o centro da gravidade corporal, o salto também
aumenta a lordose. O mesmo efeito que faz com que o salto empine
o bumbum pode tornar-se gatilho de crises de problemas na coluna,
caso extremo com o aparecimento das hérnias de disco.
Mas, como já disse acima, não é o caso de
abandonar os saltos. Não se pode mudar uma sociedade. Mas
é possível modificar o uso. Nos Estados Unidos, por
exemplo, é comum as mulheres irem ao trabalho de tênis
e calçar os saltos só no escritório. Aqui no
Brasil, é comum observar que, nas festas, as jovens simplesmente
tiram os sapatos de salto e se divertem.
* André Pedrinelli é cirurgião
ortopedista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, e especialista
em medicina esportiva
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| Pílulas
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| » Quem não pode ficar
sem usar sapatos de salto deve optar pelos modelos com
saltos mais largos, que distribuem melhor o peso e estabilizam
o tornozelo. Bico quadrado também é o
mais recomendado para evitar deformidades dos dedos
» Os sapatos plataforma, com a mesma altura do
calcanhar à ponta, não pressionam excessivamente
o antepé. Mas a chance de torcer o tornozelo
é maior
» Se puder, deixe a sandália e opte pelo
sapato. Assim, o calcanhar estará mais seguro.
O reforço lateral proporcionado pelas botas é
ainda mais eficiente
» Evite saltos muito altos no dia-a-dia. Quanto
menor o salto, melhor para a saúde
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