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Teatro
Ela não é da Terra

Mônica Martelli se consagra como a grande sensação da temporada teatral carioca ao interpretar uma cômica balzaquiana disposta a ir a Marte em busca do grande amor
texto: Mariana Kalil
foto: Alexandre Sant’Anna
Ela sofreu dois abortos espontâneos: “Engravidar com 35, 40 anos não é tão simples como dizem”, afirma
Toda balzaquiana já foi, é ou será protagonista de desencontros, desventuras, equívocos e ilusões amorosas. Aos 36 anos, Mônica Martelli não foge à regra. A diferença é que resolveu jogar as experiências no ventilador. O resultado está na peça Os Homens São de Marte... E É pra Lá Que Eu Vou – uma comédia que trata do grande dilema vivido pelas mulheres solteiras: a busca de um grande amor. Com aval de Bárbara Heliodora, a mais respeitada crítica teatral do Brasil, Mônica tem lotado o Teatro Cândido Mendes, onde está em cartaz no Rio. Qual o segredo do sucesso de um monólogo sem patrocínio, financiado com a ajuda da família e dos amigos e interpretado por uma atriz sem chamariz de estrela global? O fato de, talento à parte, Mônica interpretar a si mesma – o que dá ao espetáculo o tom verossímil que faz toda
a diferença.

“A idéia surgiu há quatro anos, quando eu estava solteira, louca e desesperada”, lembra ela, dona de uma veia cômica também fora de cena. “A peça não tem frase pronta. São histórias que vivi e sofri.” Histórias hilárias e vivenciadas em três anos de solteirice, quando mostrava disposição para qualquer programa que proporcionasse a ilusão de encontrar a alma gêmea – de Carnaval fora de época a passeios de barco com a nata da sociedade carioca. As desilusões sempre foram encaradas com otimismo. “Essa é minha maneira de lidar com relacionamentos malsucedidos”, comenta. “Levantava a poeira e dizia: ‘Quer saber? Não era pra ser!’”. Em cena, o bordão arranca gargalhadas.

Mônica precisou repeti-lo muito até cruzar com o verdadeiro amor. Há três anos está noiva de Jerry Marques, produtor musical americano, filho de pais brasileiros. “Encontrei o Jerry aqui na Terra, não precisei ir a Marte buscá-lo”, brinca, numa alusão ao título do monólogo. “Atingimos um ponto de equilíbrio entre os nossos desejos de amar e ser amados”, declara-se Jerry. “O otimismo de Mônica contagia. Nunca fui tão feliz com alguém na minha vida.” Refeita da histeria de mulher solteira em busca do grande amor, ela planeja ser mãe de dois filhos. Trata o assunto com delicadeza, conseqüência de dois abortos espontâneos sofridos. “Engravidar com 35, 40 anos não é tão simples como dizem”, salienta. “Óvulo tem data de validade”, diz, repetindo outro bordão da personagem.

A veia irônica da atriz foi revelada por Chico Anísio no programa Zorra Total. Agora, tem trabalhado sua versão dramática. É a protagonista de Só por Hoje, novo filme de Roberto Santucci, diretor de Bellini e a Esfinge, que começou a ser rodado há alguns dias. Vive uma psicoterapeuta vítima de seqüestro. Dividida entre teatro e cinema, mal tem tido tempo para a aula diária de ginástica localizada. Nada que tire seu sono. Com 1,80m, 60 quilos e perfil de modelo, não tem tendência para engordar. “A mulherada vai odiar essa revelação, mas tomo Sustagen para encorpar desde minha primeira comunhão”, diverte-se.