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Carreira
Zezeh na comédia

Dona de uma veia cômica, Zezeh Barbosa driblou com humor a resistência da família e o preconceito, e tornou-se atriz premiada no cinema e popular na tevê
texto: Clarissa Monteagudo
foto: Leandro Pimentel
“A branca põe botox na boca, silicone na bunda e vira uma
negona loura. Quem disse que o padrão de beleza não é o
nosso?”, pergunta Zezeh

Zezeh Barbosa não aprendeu a conviver com a popularidade. Diante dos gritos de ‘Latoya’, que cortam o silêncio de suas caminhadas pelas ladeiras de Santa Teresa, bairro onde mora no Rio, sua reação é tímida. Com 30 anos de carreira no teatro, a atriz ainda se surpreende com a repercussão de sua cômica personagem na novela A Lua me Disse. E se emociona ao falar do espaço na tevê e do cobiçado prêmio de melhor atriz no Festival de Brasília pela atuação no bem-humorado longa Bendito Fruto. “Deus deu uma caprichada, né?”

Filha de uma dona-de-casa e um serralheiro, Zezeh Barbosa convenceu a mãe de que poderia ser atriz inventando cenas teatrais. “Uma vez, ela chegou em casa e eu estava caída, fingindo ter me envenenado”, diverte-se a paulista de Osasco, que deixou a casa da família aos 17 anos. Enquanto cursava a Escola de Arte Dramática da USP, trabalhou como secretária, operadora de telemarketing e atendente de cantina. Dormia pouco, ganhava mal, mas estava sempre feliz. “Tive que aprender a transformar todas as dificuldades em alegria. Tudo o que eu consegui foi porque sou negra. Sabia que precisava ser forte”, conta a atriz. A vitalidade lhe abriu portas. “Zezeh tem muita força. É uma atriz elétrica”, elogia Sérgio Bianchi, que a dirigiu no filme Cronicamente Inviável.

Casada com o fotógrafo italiano Giuseppe Bizzani há oito anos, a atriz transfere ao filho Francisco, 11, o orgulho negro. Ele ostenta trancinhas afro, herdadas da mãe, que ainda não se acostumou à cabeleira de Latoya. Com humor afiado, a atriz debocha dos critérios estéticos que a fazem desistir de vagas em comerciais de sabonete e xampu. “Os diretores adoram o teste, mas não te chamam porque você é negra. Agora, a branca põe botox na boca, silicone na bunda e vira uma negona loura. Quem disse que o padrão de beleza não é o nosso?”