Reportagens  
Alexandre Sant'anna
“Sou muito intuitiva, sinto que vou casar com ele’’ Fernanda Paes Leme, sobre o namorado, o músico Bruno Diegues
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Ensaio
Fernanda Paes Leme

A atriz foi jogadora de vôlei na adolescência, diz que previu
sua escalação para América e conta como administra um namoro a distância
Carla Felícia
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 Ensaio: Fernandinha é só sorrisos
Leandro Pimentel
Ela batalhou para estar no elenco da novela. “Meti a cara mesmo. Nessa profissão a gente não tem que ter vergonha. Quando se está começando, não se pode ter esse pudor”, diz a atriz

Nem ela mesma acreditava que isso fosse possível. Mas quando chegou ao Rio, três anos atrás, para gravar a última temporada do extinto seriado Sandy & Junior na Globo, a paulista Fernanda Paes Leme odiou a cidade. Menos pelo clima quente e pelo jeito informal do carioca, e mais por ter deixado para trás família, amigos e, principalmente, o namorado, o músico Bruno Diegues. Era o primeiro relacionamento sério da atriz e já durava quatro meses. Toda quarta-feira, quando terminavam as gravações da semana, ela corria para o aeroporto. Tarde demais para a última ponte aérea? Não hesitava em rumar para a rodoviária. Sem lugar no ônibus-leito? Ia, sorridente, no convencional mesmo. O importante era voltar para São Paulo.

Outros trabalhos na tevê foram aparecendo e a rotina manteve-se inalterada: toda e qualquer folga era motivo para retornar às raízes. Fernanda só começou a se adaptar ao novo lar quando terminou o namoro, no início do ano passado, e decidiu se afastar para curar a dor. Solteira no Rio de Janeiro, acabou descobrindo sua turma. “Foi aí que passei a gostar, a curtir mesmo, ir para o Baixo Gávea. Até peguei um pouco do sotaque”, exagera ela, que segue dividindo apartamento com o amigo Wagner Santisteban, ex-companheiro de Sandy & Junior, agora em Malhação. Hoje, a atriz de 21 anos está totalmente apaixonada pela cidade. E não só por ela, como denuncia a tatuagem no pé direito, feita recentemente: “Amor eterno”.

O homenageado não é ninguém novo: há seis meses, ela reatou com Bruno, líder do grupo de pagode Jeito Moleque. “Fiquei na obrigação de retribuir”, brinca o cantor, que ainda não decidiu que desenho fará para, assim como ela, explicitar seu amor ao mundo. “Quando decidimos terminar foi porque eu estava trabalhando demais, gravando nosso primeiro CD, e não porque não nos amávamos. Tinha certeza de que voltaríamos”, explica ele. Com convicção compreensível para uma jovem de sua idade, Fernanda assegura que Bruno é o primeiro e será seu único namorado. “Sou muito intuitiva, sinto que vou casar com ele.” Pressentimento que, segundo ela, tem a ver com uma
suposta mediunidade.

Católica que acredita no espiritismo, ela assegura ter previsto também sua escalação para América. Nada que a fizesse, porém, esperar sentada. A atriz foi bater à porta de Jayme Monjardim, então diretor da trama, para colocar-se à disposição. “Meti a cara mesmo. Nessa profissão a gente não tem que ter vergonha. Quando se está começando, não se pode ter esse pudor.” O deslumbramento de sair do País para gravar suas primeiras cenas nos Estados Unidos durou pouco. Nos primeiros dias, sofreu com uma infecção urinária. Deixou-se enganar pelo vento forte das áreas desertas do Texas e não se hidratou direito. “Bobeei. Não bebia água porque estava passando frio. Não tinha noção de que o sol estava escaldante.”

O nervosismo também teve sua parcela de culpa. Afinal, América é sua primeira novela das oito. Na estréia, uma surpresa. Mesmo atarefado com reuniões da banda, o namorado pegou na última hora um avião de São Paulo, onde mora, para o Rio, só para assistir com ela ao primeiro capítulo. “Com aquele jeitinho, ela consegue tudo. Me convenceu de que eu precisava estar ali naquele momento tão importante.” Praticamente um sonho para a jovem que até pouco tempo atrás pensava em ser jogadora de vôlei – chegou a defender o Banespa, dos 12 aos 14 anos. Influência do pai, o jornalista esportivo Álvaro José, da Band, que queria ver a filha se transformar numa nova Fernanda Venturini. Mas quando percebeu que não cresceria mais que seu 1,60m de altura, Fernanda concentrou esforços em sua outra atividade extra-curricular: a publicidade.

Com o jeito extrovertido de quem apresentava trabalhos escolares como se estivesse na bancada do Jornal Nacional, aos nove anos pediu à mãe que a levasse a uma agência. Funcionou. Foram dezenas de comerciais até passar no teste para o seriado Sandy & Junior, aos 15 anos. Seis anos depois, vê a grande chance de deslanchar na carreira. “Novela das oito, meu namorado de volta... Está tudo tão lindo que chega a dar medo”, diz, às gargalhadas.