Existem dezenas de caras talentosos
por aí que ralam há tempos e o reconhecimento
demora a bater na porta. O pernambucano Junio Barreto, 41,
é um desses casos. Com duas décadas de carreira
e um disco gravado em 1987, ao lado da banda gótica
Uzzo, o cantor e compositor nascido em Caruaru veio para
São Paulo há sete anos incentivado pelo amigo
Otto. Foi ganhando a vida com publicidade até peitar
a gravação de um disco independente no final
de 2004. Agora, aos poucos, ele conquista fãs para
essa música que mistura samba com elementos eletrônicos
e fala do sertão com sotaque cosmopolita.
Gal Costa ouviu o CD de Junio aconselhada por Carlos Rennó
e ligou para o compositor há dois meses. Apaixonou-se
por “Santana”, uma das faixas do CD, e fez questão
de gravá-la. Quem também flerta com o compositor
é Maria Rita, que o conheceu através deLenine,
outro fã confesso, e Maria Bethânia, para quem
ele trabalha em uma música em parceria com Vanessa
da Matta.
Enquanto vira o novo queridinho das cantoras, Junio Barreto
acumula platéia em shows lotados em São Paulo,
que passarão a correr o País no segundo semestre.
“A marca da minha música é a brasilidade.
E essa característica foi esquecida durante muito
tempo pela MPB, na época da ditadura. Essa retomada
só aconteceu efetivamente a partir de Chico Science”,
diz ele. Junio tira inspiração de seu Pernambuco,
dos bares da boemia paulistana, da solidão ou de
qualquer tipo de saudade, como do mar ou do amor, tão
comuns a um solteiro. “Espero que fique solteiro por
pouco tempo”, diz ele. “Já tá
mais que na hora de arrumar uma moça direita para
ficar ao meu lado.”
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