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| Uma das maiores dificuldades de Joana foi
lidar com os homens cariocas. “Eles são muito infantis, só consegui
ter cinco amigos. Os portugueses têm que se esforçar mais para
conquistar as mulheres”, diz a atriz |
Ela nasceu na terra de Luís de Camões. Mas foi a sabedoria
popular carioca que inspirou o lema de Joana Solnado. “Eu deixo
a vida me levar”, diz a atriz portuguesa de 21 anos, recitando
Zeca Pagodinho. A intensa sensação de liberdade se justifica
nos últimos meses. Convidada para fazer uma participação
na novela Como uma Onda, Joana partiu de Lisboa para alguns
dias no Rio de Janeiro. A aceitação de sua personagem
na novela transformou a curta temporada numa estadia de cinco meses.
“Ela encantou o público. É extraordinária,
transmite tudo pelo olhar”, elogia o autor Walther Negrão.
A face mais difícil da viagem foi a experiência de
viver sozinha em outro país. “Todos os dias me desesperei
com alguma coisa. A solidão é o mais assustador de
tudo. A dor vem, dói muito e quando você vê passou.
É um exercício.” Decidida a se tornar independente,
Joana reprimia o desejo de ligar chorando para a mãe. Aos
poucos, dominou o medo e se adaptou à cidade. Assim que gravar
a última cena, por volta do dia 17, a atriz volta para casa.
Com homens, ela não conseguiu se relacionar intensamente.
Acostumada à formalidade dos portugueses, a atriz não
se adaptou às cantadas objetivas dos brasileiros e não
namorou ninguém. “Eles são muito infantis, só
consegui ter cinco amigos. Os portugueses têm que se esforçar
mais para conquistar as mulheres”, diz.
Quando chegar a Lisboa, Joana retomará o curso de cinema na
Universidade Lusófona. A atriz não conseguiu escapar
à vocação familiar. Neta do humorista Raul Solnado,
Joana estreou aos 14 anos no Teatro Multiculturas, então dirigido
pela mãe, a escritora Alexandra Solnado. Mas não queria
se aprofundar. “Cresci vendo a minha família trabalhando
quando todo mundo estava de férias”, lembra. Aos 17,
Joana resolveu se afastar do teatro e estudar Medicina. Quatro meses
depois, estava em depressão. “Senti que tinha perdido
o rumo da minha vida.” A decisão de ser atriz foi comemorada
pela família e endossada pelo público. Joana conquistou
sucesso popular ao interpretar uma sofrida órfã na novela
Morangos com Açúcar, líder em audiência
em 2003 em Portugal e exibida no Brasil no ano passado pela Band.
Com o fim do contrato na Globo, ela não faz planos para o futuro.
“Vou para onde a vida me levar”, diz, fiel à sua
filosofia.
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