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X & Y
Coldplay usa teclados na dose certa em CD de atmosfera emocional e grandes canções
Mauro Ferreira
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O instrumental do CD realça o tom angustiado dos versos e da voz de Chris Martin (à frente)
O terceiro álbum do Coldplay, X & Y, ratifica o talento da banda britânica para criar e tocar canções de densa atmosfera emocional. Como sinalizara seu primeiro single, “Speed of Sound”, já um hit no Brasil, o disco está à altura dos dois trabalhos anteriores da banda, Parachutes (2000) e A Rush of Blood to the Head (2002). Desta vez, o grupo priorizou nos arranjos os teclados e sintetizadores, mas na dose certa. E sem evitar (leves) distorções da guitarra de Johnny Buckland em faixas como “Twisted Logic”.

O instrumental climático do CD realça o tom angustiado dos versos e da voz do cantor Chris Martin, letrista hábil na exposição de emoções reais. “Swalloweed in the Sea”, por exemplo, toca de forma poética na ferida da perda de entes queridos. Nesta seara dolorida, a grande canção é a deprimida “What If”. Mas o Coldplay acerta na variação de climas. Se a faixa-título tem sutil tom psicodélico, “The Hardest Part” exibe a levada pop produzida pela banda sem resvalar na banalidade.

A surpresa do repertório é “Talk”, de melodia baseada no riff de
“Computer Love”, tema do grupo alemão Kraftwerk. Não deixa de ser
um ato de humildade numa banda de personalidade forte, formada em 1996 com a determinação de fazer grandes canções. Algumas delas estão em X & Y, disco que deverá aumentar o já forte culto ao Coldplay. Angústia brilhante