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Sangue Audiência
Falta melodia na estréia do F.UR.T.O., a nova banda de
Marcelo Yuka
Mauro Ferreira
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F.UR.T.O.: participações de Marisa Monte e Manu Chao

A expulsão de Marcelo Yuka do Rappa, em 2002, gerou expectativa sobre o futuro do músico, preso a uma cadeira de rodas desde 2000, quando levou três tiros ao tentar evitar um assalto. Se o Rappa apostou em grandiosa produção para disfarçar a ausência dos versos engajados de Yuka no CD O Silêncio Que Precede o Esporro, de 2003, o letrista radicaliza na politização dos versos do primeiro CD de sua nova banda, F.UR.T.O. (Frente Urbana de Trabalhos Organizados). E o fato é que, se sobra contundência, falta melodia no disco SangueAudiência.

Para montar o F.UR.T.O., Yuka recrutou um cantor carioca (Maurício Pacheco, da banda Stereo Maracanã) e dois percussionistas de Pernambuco (Garnizé e Jam). O mix de influências resultou num CD de sonoridade densa, que flerta com o dub (a vertente psicodélica do reggae) e usa elementos de ritmos nacionais como samba e maracatu.

A mistura de sonoridades esbarra no forte teor político das letras – contundentes, mas às vezes panfletárias. Nem as adesões de Marisa Monte (intérprete e co-autora de “Desterro”) e de Manu Chao (voz em “Todos Debaixo do Mesmo Sombrero”, faixa que prega a união da América Latina) disfarçam a falta de boa música. Ainda que o disco cresça a cada audição. No palanque