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Superação
Índio hign-tech

Joaquim Taska estudou computação gráfica nos Estados Unidos, dirigiu documentário finalista no Festival de Sundance e prepara agora a estréia da grife Yawanawa, que leva o nome de sua tribo
texto: Mariana Kalil
foto: Alexandre Sant´Anna
Quando estudou no centro de estudos indígenas em San Francisco, Taska conheceu a índia mexicana Laura Soriano, que dirigia a instituição. Com ela se casou e
tem dois filhos
A história dos 31 anos de vida do índio Joaquim Taska Yawanawa é digna de um documentário. Taska nasceu no Acre, filho do cacique da tribo Yawanawa. Aprendeu a falar a língua da aldeia, mas nunca soube escrevê-la. A cultura do povo Yawanawa é passada de geração a geração somente através da palavra. Em Rio Branco, buscou uma escola que lhe ensinasse o português. O domínio do idioma permitiu que conhecesse o presidente da multinacional de cosméticos Aveda – interessado na principal fonte de atividade da tribo, a semente de urucum, cuja cor, o vermelho, os Yawanawas usam para pintar o corpo.

A parceria completa 12 anos e hoje os Yawanawas, sob a liderança de Taska, exportam quatro toneladas de urucum por ano para a multinacional, que paga R$ 25 mil pelo produto e apóia outros projetos da tribo. “Temos três escritórios com internet via satélite”, conta Taska, que vive no Acre e é dono de um iMac de última geração. Taska sabe manejá-lo com maestria, aprendeu nos Estados Unidos. Em 1997, graças a uma bolsa oferecida pela Aveda, viajou para Santa Bárbara, na Califórnia, para aprender inglês e poder se comunicar com os executivos da multinacional. “Chutei todas as questões no exame de admissão da escola”, conta. “Chutei tão certo que me colocaram no nível intermediário”, diverte-se. Taska queria aprender mais e conseguiu outra bolsa, desta vez em San Francisco, para estudar computação gráfica.

A diretora da Centro de Documentação e Política dos Povos Indígenas da América (Saiic), em San Francisco, era a índia mexicana, Laura Soriano. Os dois namoraram e hoje têm dois filhos. O casal se mudou para Taos, no Novo México, onde viveram por três anos até os Yawanawas gritarem por socorro. A tribo enfrentava dificuldades e precisava de Taska. “Não queria voltar para o Brasil, mas era fundamental para a continuidade do meu povo”, diz ele. Voltou – e levantou a aldeia. Escreveu e dirigiu um documentário sobre os Yawanawas. O filme de 56 minutos, distribuído em 9 línguas, concorreu ao prêmio de melhor documentário do Festival de Sundance, nos Estados Unidos, no ano passado.

Sua última invenção para movimentar a economia da aldeia promete sacudir o mundo da moda. Trata-se da criação da grife Yawanawa. Sob a supervisão da designer Adriana Aquino, a coleção de roupas e acessórios femininos, masculinos e infantis terá como estampa os desenhos milenares da tribo feitos pelas índias. A confecção das peças será realizada pelas costureiras da Rocinha. A tradicional Gallerie Lafayette de Paris já acenou com desejo de vender as peças. A multinacional Aveda quer promover o desfile da grife em Nova York. Mas o índio prefere estrear em seu próprio país. No dia 13 de junho, modelos desfilarão as roupas Yawanawa pelos corredores do Fashion Mall. O badalado shopping carioca ofereceu a Taska uma loja de graça, sem precisar pagar condomínio e aluguel. Trata-se de um prêmio de loteria para qualquer lojista. Caberá a um índio visionário o privilégio de desfrutá-lo.