Reportagens  
Caetano costuma almoçar com os filhos em casa. “Ele é um paizão, por isso as crianças não sentiram tanto”, diz Paula
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Certa vez, enquanto negociava com empresários americanos, um advogado lhe perguntou em que escola havia se formado. “Na escola da vida, meu filho”, disse
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Caetanear o que há de bom

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Embora estejam reagindo bem ao fim do casamento, os filhos, é claro, também sentiram a separação. Logo depois de Caetano se mudar para o flat, Paula ouviu uma bronca de Tom, o caçula. “O meu pai saiu de casa porque você é produtora de cinema”, gritou ele. Parecia uma piada, já que uma coisa nada tem a ver com a outra, mas Paula entendeu o recado. Reduziu o ritmo de trabalho na Natasha Produções, que fundou há dez anos e em uma década se destacou entre as cinco maiores produtoras do País, para ter mais tempo com os filhos.

Inteligente, rápida no raciocínio e dona de uma intuição certeira, logo se tornou empresária de destaque no mundo do entretenimento. Certa vez, enquanto negociava com empresários americanos, um advogado lhe perguntou em que escola havia se formado. “Na escola da vida, meu filho”, disse, num tom meio debochado, meio orgulhosa de si mesma. Paula, que terminou apenas o ensino médio, sabe que tem o dom para os negócios desde criança, quando fazia sua mesada render muito mais do que a de sua irmã, Cristiane, conhecida como
Kiki Lavigne.

Hoje, Paula circula com desenvoltura pelos gabinetes do poder em Brasília e é recebida por autoridades para negociar seus filmes. No momento está preocupada com a falta de representação da classe no Congresso Nacional. “Até os taxistas têm representante lá dentro e a gente não tem nada”, avalia, enquanto prepara seus próximos projetos. Já conseguiu garantir a presença do presidente Lula no pré-lançamento beneficente do filme de que participa como produtora associada, Dois Filhos de Francisco, em agosto, está preparando o lançamento do filme O Coronel e o Lobisomem, e iniciou as negociações para captar recursos para o filme O Bem-Amado, com gravações previstas para começar em 2006. “Tenho muito o que fazer e não posso ficar às voltas com picuinhas e fofoquinhas”, diz ela. “Eu e o Caetano vamos continuar trabalhando juntos, vamos continuar sendo amigos. Isso ninguém vai destruir.”

O Casamento

"Conheci o Caetano por volta dos 13 anos de idade quando atuava na peça Os 12 Trabalhos de Hércules. Ele ficou amigo de todos nós do grupo e de mim especialmente. Éramos muito amigos, saíamos juntos, nos divertíamos. Numa dessas farras decidi perder minha virgindade com ele. Era o aniversário dele de 40 anos. Não foi nada programado, estávamos no embalo. Aos 14 anos meu pai me mandou estudar na Inglaterra e tempos depois o Caetano foi lá atrás de mim. Eu fugia da escola para ficar com ele, era muito bom. Ele voltou e eu fiquei mais tempo lá. Depois fugi definitivamente da escola e fiquei rodando a Europa até acabar o dinheiro. Quando voltei continuamos a nos encontrar e com 16 anos fomos morar juntos. Não foi fácil. No início todos falavam mal de mim, as pessoas não entendiam a nossa relação. Elas passaram a me engolir. Nunca nos casamos no papel. Tivemos dois filhos lindos que amamos muito e 20 anos de vida em comum. Somos parceiros, amigos e cúmplices de toda uma vida e ninguém vai destruir isso!! Eu o amo muito e sei que ele ainda me ama muito. No momento, tudo o que quero é voltar a ser amiga dele, como era antes

A Separação

Até agora não sentimos a nossa separação porque as pessoas não nos deixam em paz. Nunca tive problemas em ser mulher de uma celebridade como o Caetano, mas estou tendo todas as dificuldades por me tornar a ex-mulher. Eu estou assustada com tanta fofoca, com tanta gente torcendo contra. Não esperava por isso. Nesse momento deveríamos estar com nossas energias voltadas para nós e para nossos filhos mas temos que ficar desmentindo notinhas de jornal o tempo todo. Até o Caetano ligou para as redações desmentindo notas maldosas. As crianças não sentiram tanto a separação dentro de casa mas ficaram assustadas com a imprensa atrás da gente, na porta, em todo lugar. Estou vivendo uma fase difícil, já tomei remédio para dormir, fico triste e aí um dia você acorda mais irritada, se assusta com os seguranças e por isso você é louca? Eu também sou vítima dos hormônios descontrolados que têm vida própria, qual mulher não vive isso? Ninguém pode entender? Parece que estão querendo me dizer que eu não posso ter cumplicidade com alguém que foi meu marido só porque estou me separando. Ora! Vivi mais tempo com o Caetano do que com meus pais. As pessoas não vão me dizer como devo agir

A Carreira

Comecei a organizar os negócios do Caetano aos 17 anos, quando criamos nossa empresa Uns. Para isso me emancipei e mais tarde larguei minha carreira de atriz, que já completava 15 anos. Era uma atriz medíocre, eu sei, por isso digo que entrei no lugar certo pela porta errada. Eu devia estar atrás das câmaras e não na frente e senti isso quando os negócios estavam tomando todo o meu tempo, apesar dos vários convites que recebia para fazer novelas. O Caetano me deu carta branca e credibilidade para fazer na carreira dele e na minha o que eu achava que precisava ser feito. E eu estava certa. Hoje ele tem um patrimônio 50 vezes maior do que tinha naquela época e sem contar as possibilidades de shows e vendas de discos. Só com o Foreign Sound ele rodou o mundo e neste momento está numa turnê no Japão. Há dez anos, abri a minha própria empresa, a Natasha Produções, que produziu vários cantores, trilhas para filmes e, por fim, filmes. Somos a empresa mais especializada em trilhas sonoras do País, detemos a segunda maior bilheteria do cinema nacional, com Lisbela e o Prisioneiro, e estamos entre as cinco maiores produtoras do Brasil.

Estilo e produção: Ana Hora
Assistente de produção: Giulia Hora Roly
Beleza: Ronald Pimentel
Agradecimentos: Empório Armani, Ellus, Miss Victtória, Tidsy, Mixed,
Constança Bastos.
Jóias: Atelier Schiper