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Ensaio
A independência da princesa

Aos 22 anos, Paola de Orleans celebra sua maioridade na estréia como apresentadora de tevê, conta que tirou o sobrenome de D. Pedro I depois do sequestro de um primo e que, na faculdade, omitia para os amigos a sua origem
texto: Diógenes Campanha
foto: edu lopes
A princesa no Rancho da Maioridade, localizado
na cidade paulista de Cubatão, assim chamado
para homenagear a maioridade do imperador Pedro II, seu tetravô

Construído em 1922, no centenário da Independência, o Rancho da Maioridade, em Cubatão (SP), foi batizado em homenagem à maioridade de Dom Pedro II, decretada em 1840. Foi neste cenário que uma tetraneta do imperador posou para Gente, em comemoração a um momento especial de sua vida. Aos 22 anos, Paola de Orleans e Bragança estreou, na segunda-feira 9, como apresentadora do Blog 21, na Rede 21. Por causa do programa, trancou a faculdade de desenho industrial que cursava no Rio de Janeiro e foi para São Paulo. A mudança celebra uma busca por independência que começou há cinco anos. “Conquistei minha maioridade aos poucos, não foi de uma hora para outra”, diz Paola.

 

Paola andava de ônibus no Rio, quando fazia faculdade: “Se eu falasse que era princesa, o
contato com as pessoas seria diferente, porque colocariam o título antes de qualquer coisa”

O primeiro passo foi dado em 2000, quando uma designer de jóias amiga de sua mãe a convidou para posar para um catálogo. A empolgação por ganhar pela primeira vez o próprio dinheiro e o resultado das fotos a levaram para a profissão de modelo. Paola fez desfiles e comerciais e, na última São Paulo Fashion Week, atravessou a passarela da grife Cavalera com uma réplica da coroa de Dom Pedro II. Foi uma das poucas vezes que a jovem moderna e despojada apareceu com um símbolo da realeza, aproximando-se da princesa idealizada pelo senso comum e que, muitas vezes, remete às histórias infantis. “Não sou uma princesa de conto de fadas!”, reclama Paola, que diz já ter decepcionado muitas crianças. “Aos 12 anos, minha irmã e eu fomos a uma fazenda e a dona falou para as sobrinhas que as princesas estavam chegando. Quando elas nos viram correndo no mato com o cabelo embaralhado, não acreditaram”, conta. Seu empresário Aluísio Ribeiro, cujas filhas também ficaram surpresas ao conhecer a modelo, acha que Paola equilibra a sofisticação com a vida plebéia. “É uma princesa moderna, do século 21, que vive como a gente”, diz.

De fato, não se pode acusá-la de não ter uma vida normal. Quando passou na faculdade, em 2002, Paola saiu do Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, e foi para um apartamento alugado, que dividia com uma amiga. Para se locomover, andava de ônibus e de metrô e, como não possui oficialmente o sobrenome Orleans e Bragança – tirado em 1989, depois que um primo foi seqüestrado –, não contava para os amigos que era da família real. “Se eu falasse que era princesa, o contato com as pessoas seria diferente, porque colocariam o título antes de qualquer coisa. Nunca quis isso.”

Produção: Patrícia Nese, Camila Cury, e Bianca Cury (Imagem e Consultoria)
Cabelo e Maquiagem: Adilson Vital, com produtos Cryolan
Agradecimentos: Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar, Ocimar Versolato, Sara Jóias, Dolce & Gabbana, Miss Victoria para Clube Chocolate