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Televisão
Vida nova
para José de Abreu
Ator será pai em junho e estréia
em Vila Madalena, mas quer trocar a tevê pelo teatro por um
ano
Rosângela
Honor
| Foto: Leandro
Pimentel |
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Em 1968, os
congressos da União Nacional dos Estudantes (UNE) fervilhavam
pelo País, desafiando a ditadura militar. O então
estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica
(PUC) de São Paulo, José de Abreu, era mais um dos
jovens que lutava por seus ideais. Em outubro daquele ano, num desses
encontros, em Ibiúna, São Paulo, ele foi preso, junto
com líderes estudantis como o hoje ministro da Saúde
José Serra e o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores
(PT), José Dirceu. Levado para o Dops, na capital paulista,
foi transferido alguns dias depois para o presídio do Carandiru.
Só deixou a prisão após dois meses, com uma
decisão na cabeça: abandonar a faculdade e ir para
o Rio Grande Sul - ponto estratégico caso precisasse deixar
o País - para se dedicar ao teatro. No sul, ele se tornou
o produtor e ator José de Abreu, que hoje, aos 53 anos, tem
em seu currículo 15 novelas, 20 filmes e 16 peças.
Também
no sul, o paulistano José de Abreu descobriu o talento para
a comédia encenando peças infantis pelo interior.
Na época, o ator criou a companhia Seraphin - A Melodramática
Banda. Com o grupo, alugou um teatro em Porto Alegre e gravou um
disco batizado de O Macaco e a Velha. Ultimamente, o ator tem revivido
sua experiência em comédias, interpretando Bráulio
numa série de episódios do programa Você Decide.
Ao lado da atriz Maria Zilda, que interpreta sua mulher na trama,
ele vive um cinqüentão envolvido em problemas conjugais
e em conflitos dos filhos adolescentes e da mãe. O ator,
que já gravou cinco programas, conta que adorou voltar a
fazer comédia, mas não sabe - assim como a emissora
- se os episódios continuarão a ser exibidos, pois
o diretor de núcleo Wolf Maia, que dirigia o Você Decide,
foi substituído por Marcos Paulo. Agora, Abreu prepara-se
para entrar na novela das 19h da Rede Globo, Vila Madalena, como
um fazendeiro.
Casado há
um ano pela quarta vez, com a economista ambiental Andréa
Pontual, de 28 anos, ele será pai de um menino em junho,
que deve se chamar João. "Achamos este nome legal, mas
ainda pode mudar", diz o ator, pai de Théo, um advogado
de 25 anos, de Ana, 24, estudante de Psicologia, e de Cristiano,
18, estudante e músico. Seu outro filho, Rodrigo, que estaria
completando 30 anos em abril, morreu ao cair da janela do prédio
onde moravam, no Rio, em 1992. Foi levantada a hipótese de
tratar-se de suicídio. Mas os laudos da perícia e
o testemunho de pessoas que estiveram com Rodrigo horas antes de
sua morte afastaram definitivamente esta possibilidade e concluíram
ter sido uma queda. No dia da tragédia, Abreu gravava em
Manaus a novela Amazônia, da Rede Manchete. "Na época
pirei, mas hoje entendo bem o que aconteceu", diz o ator, que
é espírita da corrente kardecista. "Ele já
tinha cumprido sua missão."
Nos anos 70,
Abreu também produziu shows de Gilberto Gil, Rita Lee e Toquinho
enquanto encenava suas comédias infantis. A estréia
no cinema só veio depois, com o convite do cineasta Hugo
Christensen. O diretor o convidou para ser um dos protagonistas
do longa-metragem A Intrusa. Por essa atuação, ele
ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Gramado,
em 1980. "Quando ele me chamou, aceitei o convite antes mesmo
de saber qual seria o personagem e me surpreendi com um papel muito
bom", recorda.
No
Festival de Gramado, surgiu a chance de estrear na tevê. Depois
de ver o desempenho de Abreu no filme, o diretor Roberto Talma o
convidou para fazer a novela As Três Marias, na Globo. Cinco
anos depois, em 1985, a comédia voltou a cruzar seu caminho,
em Ti-Ti-Ti. "Foi um de meus melhores trabalhos em televisão."
Há quatro anos contratado da Globo, o ator não deve
renovar com a emissora até junho. Pretende se dedicar ao
projeto Nelson Rodrigues - 60 Anos de Teatro. "Quero dar uma
virada na minha vida, estou muito acomodado", diz ele. "O
bom é que temos uma tranqüilidade financeira, mas criamos
um certo comodismo." Por isso, pensa na possibilidade de uma
licença não-remunerada de um ano, caso renove o contrato,
para se dedicar exclusivamente ao teatro.
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