28 de fevereiro de 2000
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Televisão

Vida nova para José de Abreu
Ator será pai em junho e estréia em Vila Madalena, mas quer trocar a tevê pelo teatro por um ano

Rosângela Honor

Foto: Leandro Pimentel

Em 1968, os congressos da União Nacional dos Estudantes (UNE) fervilhavam pelo País, desafiando a ditadura militar. O então estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, José de Abreu, era mais um dos jovens que lutava por seus ideais. Em outubro daquele ano, num desses encontros, em Ibiúna, São Paulo, ele foi preso, junto com líderes estudantis como o hoje ministro da Saúde José Serra e o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu. Levado para o Dops, na capital paulista, foi transferido alguns dias depois para o presídio do Carandiru. Só deixou a prisão após dois meses, com uma decisão na cabeça: abandonar a faculdade e ir para o Rio Grande Sul - ponto estratégico caso precisasse deixar o País - para se dedicar ao teatro. No sul, ele se tornou o produtor e ator José de Abreu, que hoje, aos 53 anos, tem em seu currículo 15 novelas, 20 filmes e 16 peças.

Também no sul, o paulistano José de Abreu descobriu o talento para a comédia encenando peças infantis pelo interior. Na época, o ator criou a companhia Seraphin - A Melodramática Banda. Com o grupo, alugou um teatro em Porto Alegre e gravou um disco batizado de O Macaco e a Velha. Ultimamente, o ator tem revivido sua experiência em comédias, interpretando Bráulio numa série de episódios do programa Você Decide. Ao lado da atriz Maria Zilda, que interpreta sua mulher na trama, ele vive um cinqüentão envolvido em problemas conjugais e em conflitos dos filhos adolescentes e da mãe. O ator, que já gravou cinco programas, conta que adorou voltar a fazer comédia, mas não sabe - assim como a emissora - se os episódios continuarão a ser exibidos, pois o diretor de núcleo Wolf Maia, que dirigia o Você Decide, foi substituído por Marcos Paulo. Agora, Abreu prepara-se para entrar na novela das 19h da Rede Globo, Vila Madalena, como um fazendeiro.

Casado há um ano pela quarta vez, com a economista ambiental Andréa Pontual, de 28 anos, ele será pai de um menino em junho, que deve se chamar João. "Achamos este nome legal, mas ainda pode mudar", diz o ator, pai de Théo, um advogado de 25 anos, de Ana, 24, estudante de Psicologia, e de Cristiano, 18, estudante e músico. Seu outro filho, Rodrigo, que estaria completando 30 anos em abril, morreu ao cair da janela do prédio onde moravam, no Rio, em 1992. Foi levantada a hipótese de tratar-se de suicídio. Mas os laudos da perícia e o testemunho de pessoas que estiveram com Rodrigo horas antes de sua morte afastaram definitivamente esta possibilidade e concluíram ter sido uma queda. No dia da tragédia, Abreu gravava em Manaus a novela Amazônia, da Rede Manchete. "Na época pirei, mas hoje entendo bem o que aconteceu", diz o ator, que é espírita da corrente kardecista. "Ele já tinha cumprido sua missão."

Nos anos 70, Abreu também produziu shows de Gilberto Gil, Rita Lee e Toquinho enquanto encenava suas comédias infantis. A estréia no cinema só veio depois, com o convite do cineasta Hugo Christensen. O diretor o convidou para ser um dos protagonistas do longa-metragem A Intrusa. Por essa atuação, ele ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cinema de Gramado, em 1980. "Quando ele me chamou, aceitei o convite antes mesmo de saber qual seria o personagem e me surpreendi com um papel muito bom", recorda.

Envie esta página para um amigoNo Festival de Gramado, surgiu a chance de estrear na tevê. Depois de ver o desempenho de Abreu no filme, o diretor Roberto Talma o convidou para fazer a novela As Três Marias, na Globo. Cinco anos depois, em 1985, a comédia voltou a cruzar seu caminho, em Ti-Ti-Ti. "Foi um de meus melhores trabalhos em televisão." Há quatro anos contratado da Globo, o ator não deve renovar com a emissora até junho. Pretende se dedicar ao projeto Nelson Rodrigues - 60 Anos de Teatro. "Quero dar uma virada na minha vida, estou muito acomodado", diz ele. "O bom é que temos uma tranqüilidade financeira, mas criamos um certo comodismo." Por isso, pensa na possibilidade de uma licença não-remunerada de um ano, caso renove o contrato, para se dedicar exclusivamente ao teatro.

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