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Música - Latina
El Amor de
Mi Tierra
Ex-galã de novelas revitaliza a música colombiana
em ótimo CD
Guga
Stroeter
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Foto:
Divulgação
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Podemos definir
em apenas duas palavras a tendência atual da indústria
fonográfica mundial: música latina. Nos últimos
anos, o gênero vem crescendo geometricamente e representa
um segmento fortíssimo nos mercados dos Estados Unidos, Europa,
África e Japão. Reflexos desse fenômeno começam
a ter visibilidade no Brasil.
Para os interessados
nas novas produções latinas, vale a pena conferir
o trabalho do colombiano Carlos Vives. Ele tem 38 anos, foi
galã de telenovelas, é cabeludo, veste-se com jeans
surrados e correntes, mas acima de tudo é um talento musical
legítimo. Vives surpreendeu a todos revitalizando o ritmo
folclórico vallenato, da costa noroeste da Colômbia.
Com muita habilidade, apropriou-se das canções de
temática regionalista e conferiu-lhes um tratamento moderno.
Preservou o acordeon, a flauta de millo e os tambores. E com seu
timbre de voz rouco e uma mixagem inteligente conseguiu uma sonoridade
internacional. Por conta disso, Carlos Vives é considerado
um dos principais embaixadores da alma colombiana.
É um
artista que trabalha para reverter a imagem estereotipada de seu
país, sempre associada aos escândalos sanguinolentos
do tráfico de drogas. O CD El Amor de Mi Tierra é
um bom produto comercial e cultural, no qual reconhecemos a interessante
fusão da música andina com a tradição
dos tambores africanos, resultado da mestiçagem peculiar
da sua terra natal. Não é à toa que jornalistas
colombianos colocam-no no patamar de Gabriel García Márquez,
e citam o vallenato de Vives como música "macondiana",
numa referência a Macondo, a cidade de Cem Anos de Solidão,
a obra-prima do realismo fantástico.
Viva Colômbia
| Ping-Pong
Gabriela
Mellão: Sua música tem influência
brasileira?
Carlos Vives: A música colombiana é uma
fusão de diversas culturas, como a do Brasil. Nossas
músicas têm similaridades, como o forró,
que usa muito o acordeon.
Gabriela
Mellão: Você já visitou o Brasil?
Carlos Vives: Não, mas acho que a única
diferença entre brasileiros e colombianos é
a língua.
Gabriela
Mellão: O que acha da música latina feita
para exportação?
Carlos Vives: Sempre esteve presente e foi importante.
Mas só agora virou moda, porque existe interesse comercial.
Gabriela
Mellão: Gosta do som do Ricky Martin?
Carlos Vives: Ele é um velho amigo. Vivemos
em Porto Rico no mesmo período. Ele era do Menudo e
eu, um ator famoso. A música de Ricky está no
seu melhor momento, porque ele finalmente aliou um swing latino
ao pop.
Gabriela
Mellão: Como reage diante da violência de
seu país, a Colômbia?
Carlos Vives: Como nas demais cidades do mundo, temos
que tentar viver com a violência. Procuro ser paciente.
Gabriela
Mellão: Você faz música para levantar
o astral?
Carlos Vives: Aprendi música em Bogotá,
uma cidade pobre, mas muito alegre. Nós não
corremos das coisas ruins, mas conservamos o alto astral,
porque tentamos aprender com o negativo.
Gabriela
Mellão: Está investindo na carreira internacional?
Carlos Vives: Quanto mais local um artista, maior a
possibilidade de ser internacional, porque ele consegue ser
ele mesmo. Nunca sonhei em extrapolar minhas fronteiras, optei
em permanecer regional mesmo quando disseram que minha música
seria comercial.
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