28 de fevereiro de 2000
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Música - Latina

El Amor de Mi Tierra
Ex-galã de novelas revitaliza a música colombiana em ótimo CD

Guga Stroeter

Foto: Divulgação

Podemos definir em apenas duas palavras a tendência atual da indústria fonográfica mundial: música latina. Nos últimos anos, o gênero vem crescendo geometricamente e representa um segmento fortíssimo nos mercados dos Estados Unidos, Europa, África e Japão. Reflexos desse fenômeno começam a ter visibilidade no Brasil.

Para os interessados nas novas produções latinas, vale a pena conferir o trabalho do colombiano Carlos Vives. Ele tem 38 anos, foi galã de telenovelas, é cabeludo, veste-se com jeans surrados e correntes, mas acima de tudo é um talento musical legítimo. Vives surpreendeu a todos revitalizando o ritmo folclórico vallenato, da costa noroeste da Colômbia. Com muita habilidade, apropriou-se das canções de temática regionalista e conferiu-lhes um tratamento moderno. Preservou o acordeon, a flauta de millo e os tambores. E com seu timbre de voz rouco e uma mixagem inteligente conseguiu uma sonoridade internacional. Por conta disso, Carlos Vives é considerado um dos principais embaixadores da alma colombiana.

É um artista que trabalha para reverter a imagem estereotipada de seu país, sempre associada aos escândalos sanguinolentos do tráfico de drogas. O CD El Amor de Mi Tierra é um bom produto comercial e cultural, no qual reconhecemos a interessante fusão da música andina com a tradição dos tambores africanos, resultado da mestiçagem peculiar da sua terra natal. Não é à toa que jornalistas colombianos colocam-no no patamar de Gabriel García Márquez, e citam o vallenato de Vives como música "macondiana", numa referência a Macondo, a cidade de Cem Anos de Solidão, a obra-prima do realismo fantástico.

Viva Colômbia

Ping-Pong

Gabriela Mellão: Sua música tem influência brasileira?
Carlos Vives: A música colombiana é uma fusão de diversas culturas, como a do Brasil. Nossas músicas têm similaridades, como o forró, que usa muito o acordeon.

Gabriela Mellão: Você já visitou o Brasil?
Carlos Vives: Não, mas acho que a única diferença entre brasileiros e colombianos é a língua.

Gabriela Mellão: O que acha da música latina feita para exportação?
Carlos Vives: Sempre esteve presente e foi importante. Mas só agora virou moda, porque existe interesse comercial.

Gabriela Mellão: Gosta do som do Ricky Martin?
Carlos Vives: Ele é um velho amigo. Vivemos em Porto Rico no mesmo período. Ele era do Menudo e eu, um ator famoso. A música de Ricky está no seu melhor momento, porque ele finalmente aliou um swing latino ao pop.

Gabriela Mellão: Como reage diante da violência de seu país, a Colômbia?
Carlos Vives: Como nas demais cidades do mundo, temos que tentar viver com a violência. Procuro ser paciente.

Gabriela Mellão: Você faz música para levantar o astral?
Carlos Vives: Aprendi música em Bogotá, uma cidade pobre, mas muito alegre. Nós não corremos das coisas ruins, mas conservamos o alto astral, porque tentamos aprender com o negativo.

Gabriela Mellão: Está investindo na carreira internacional?
Carlos Vives: Quanto mais local um artista, maior a possibilidade de ser internacional, porque ele consegue ser ele mesmo. Nunca sonhei em extrapolar minhas fronteiras, optei em permanecer regional mesmo quando disseram que minha música seria comercial.

 

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