28 de fevereiro de 2000
Home
Outras Edições
Outras Edições
Diversão e Arte
Home
Assine
Assine
Semana
Assine
Assine
Assine
Fale Conosco
Assine
Busca
 

Leia também:

Televisão
Megatom
América Global
Gritos de Carnaval
Programa Silvia Poppovic

No Ibope
Fique de olho


Cinema

O Verão de Sam
O Informante
Beleza Americana
Um olho na rebeldia, outro na bilheteria
Os Ursos de Berlim

Bilheteria

Música

El Amor de Mi Tierral
Monk on Monk
Tudo Azul

Hits

Livros

Um Grande Garoto
Embalos Musicais
Histórias de histórias famosas

Best sellers

Internet

Mulheres Negras
Frases de famosos


Livros - Romance

Um Grande Garoto
Hornby, jovem autor inglês, mantém cinismo que o consagrou

Antonio Querino Neto

A família convencional está falida, mas ainda não inventaram nada melhor para substituí-la. Essa parece ser a tese em torno da qual gravitam todos os personagens do romance Um Grande Garoto (Rocco, 268 págs., R$ 28), escrito pelo inglês Nick Hornby. O autor (Pique Febril e Alta Fidelidade) traça no livro a transformação de Will Freeman, um cara de 36 anos que vive confortavelmente dos direitos de uma velha canção natalina escrita pelo pai e nada quer com trabalho, filhos e casamento. Ocioso e individualista, Will entra numa sociedade chamada PSU (Pais Solteiros Unidos) com o objetivo de conquistar mães separadas e carentes. Para se enturmar, inventa um filho fictício.

Mas é aí que entra Marcus, um garoto de 12 anos excêntrico e desajustado e sua mãe Fiona, uma mulher esquisita de tendências suicidas. Eles acabam desestabilizando o cotidiano sem substância do distante Will. Na busca de um pai, Marcus cria um elo forte com o rico solteirão que lhe ensina como não apanhar no colégio e conta a história do mito Kurt Cobain (falecido vocalista da banda Nirvana). Modelo de uma geração para a qual a procriação e o casamento não são mais prioridade, Will se vê, meio a contragosto, empurrado para algo próximo do que seria uma família. O garoto e a mãe assinalam a quebra de sua indiferença, jogando-o na vulnerabilidade de uma vida autenticamente humana da qual sempre fugiu.

Numa prosa perspicaz, a visão de Hornby é puramente britânica, marcada por um cinismo seco, dificilmente encontrável em outras culturas. Seu livro faz o raio X de um tédio que é próprio dos países do norte, mas suas agudas reflexões o tornam universal. Como o belo momento no qual o personagem central, filosofando sobre a vida, compara-a com o ar: não se pode deixar de respirá-la, mas absorvê-la no fundo dos pulmões engasga, pois é um ar "todo encaroçado".

Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home