28 de fevereiro de 2000
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Cinema - Drama

O Informante
Indicado a sete Oscar enaltece a coragem de homem comum

Neusa Barbosa

Foto: Divulgação

Logo em sua primeira cena, O Informante, estréia da sexta-feira 25, diz a que veio: por trás de uma venda, alguém enxerga o que pode dentro de um carro em movimento. Os olhos são do jornalista Lowell Bergman (Al Pacino, Advogado do Diabo), produtor do programa de tevê 60 Minutes. A venda é a metáfora perfeita com que o diretor Michael Mann (Fogo contra Fogo) traduziu a relatividade da verdade, sempre vista por meio de filtros, como a imprensa.

Indicado a sete Oscar, inclusive filme e diretor, é um dos melhores trabalhos sobre jornalistas já feitos por Hollywood, embora seu protagonista seja um químico, Jeffrey Wigand (Russell Crowe, L.A. - Cidade Proibida, também concorrendo ao Oscar). Mas este homem comum, anti-social e viciado em bebida, nunca poderia ter se tornado herói sem a imprensa para expor suas denúncias contra a indústria do cigarro.

Baseado em fatos reais, o roteiro saiu de um artigo da revista Vanity Fair, com o hitchcockiano título The Man Who Knew Too Much (o homem que sabia demais), de Marie Brenner. A história acompanha os acontecimentos entre 1993 - quando Wigand foi demitido do cargo de diretor da Brown & Williamson, então a terceira maior fabricante de cigarros dos EUA - e novembro de 1995, data em que a emissora de tevê CBS exibiu a íntegra de sua bombástica entrevista, acusando seus ex-patrões de terem manipulado propositalmente os níveis de nicotina para viciarem mais rapidamente os consumidores.

Felizmente, O Informante evita tornar-se um drama de tribunal. Sua arena fica na sede da CBS, que protelou na época a divulgação da reportagem por receio de que um possível processo do fabricante de cigarros prejudicasse sua iminente venda a outro grupo. Só a determinação do jornalista Bergman tirou a reportagem da gaveta.

O filme reabre a sempre oportuna discussão sobre o interesse público e o privado. Pode-se, com razão, comparar a obra ao ótimo Todos os Homens do Presidente, sobre o escândalo de Watergate. Compensando a complexidade da trama, está a humanidade dada a Wigand pelo ator Crowe, mudando sua aparência física tão radicalmente como Robert De Niro em Touro Indomável.

Herói de carne e osso

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