| Foi difícil
deixar a filha sair de casa com 14 anos?
O que mais me preocupou foi que, no começo, a mandaram
para o Japão. Imagina uma criança de 14 anos
pegar trem lá, com aqueles sinais. Isso é muito
complexo. Eu me lembro que uma noite em São Paulo,
sem se dar conta, ela estava no banho e a turma que estava
no apartamento trancou a porta e foi embora. Ela não
tinha como sair. Ela me ligou e me deu aquele aperto no coração.
Disse: “Filha, como você acredita em Deus, reza
e fique tranqüila que logo o pessoal vai voltar”.
Lembra-se da primeira vez que
a viu desfilando?
A primeira vez que eu a vi no Morumbi Fashion (em 2000 - atual
SP Fashion Week), ela já desfilava havia muito tempo.
Me emocionei bastante. Passou um filme na minha cabeça.
Fui com a Vânia na estréia do primeiro trabalho
no cinema (do filme Táxi, em Nova York)
e não consigo avaliar bem tudo aquilo. Isso impacta
de forma bem estranha. Não dá para explicar.
Qual o momento da carreira dela
que te deu mais orgulho?
O maior orgulho é que desde sempre ela fala da cidade
dela, do País e da família. Que bom ela não
negar a origem e sempre falar bem do País que ama.
Gisele mudou a condição
de vida de vocês?
Moramos na mesma casa, temos o mesmo tipo de automóvel.
Eu e a minha esposa continuamos trabalhando. A gente fica
feliz por suas conquistas. Nós temos o padrão
que podemos ter.
Mas ela os ajuda financeiramente?
Ela jamais deixaria faltar alguma coisa para qualquer um,
obviamente. Ela tem sido uma amiga fantástica de todos
nós, muito mais que filha. Mas acho que cada um tem
que viver sua realidade.
É verdade que a família
troca cartas no fim do ano?
Fazemos todo ano uma avaliação para saber como
estamos indo entre nós. A gente se dá uma nota.
Conversamos com toda franqueza como um foi com o outro. A
história das cartas aconteceu uma vez, quando
as gêmeas tinham uns 11 ou 12 anos. Foi muito marcante.
Como foi?
A gente ia todo ano para a praia, mas naquele ano estava difícil,
nossas economias eram canalizadas para os estudos das meninas.
Meu irmão tinha casa em Jurerê (SC) e sugeriu
que acampássemos na edícula. Vânia ia
com as meninas para a praia e eu ficava cozinhando. Como
era Natal, eu não tinha como dar presente para elas.
Resolvi fazer uma carta para cada (emociona-se)...
Escrevi coisas de cumplicidade entre mim e cada uma delas.
O impacto maior é quando elas se lembram daquilo hoje.
Como conheceu Vânia?
Nos conhecemos na faculdade em São Leopoldo, em 1969.
Ela cursava Matemática e eu Ciências Políticas
e Econômicas. Eu não era um bom estudante, levava
na flauta, e ela era centrada, professora de matemática.
E me ajudava a fazer meus temas de matemática. Me apaixonei.
Parecia com Gisele?
A dona Vânia era tão bonita quanto. Era só
mais “fortezinha”.
O que acha do DiCaprio?
É uma pessoa muito boa, de um coração
maravilhoso. A gente já esteve juntos algumas vezes.
Para quem tem tudo isso em torno, ele é de uma simplicidade
extraordinária. Ele é boa gente.
|