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“Tudo o que aprendi na vida foi o meu pai que me ensinou. Se não
fosse ele, eu não seria quem sou”, disse Gisele
Bündchen no lançamento do livro do pai Valdir
Bündchen numa livraria em São Paulo, na sexta-feira
29. Não são meras palavras carinhosas de filha
orgulhosa. Gisele realmente chegou ao topo seguindo os ensinamentos
do pai, um consultor de empresas de 56 anos. Há dez
anos, quando surgiram as primeiras propostas para que uma
de suas seis filhas virasse modelo, Valdir, pós-graduado
em Marketing e em Gestão, debruçou-se num estudo
de perfil para identificar se Gisele tinha aptidão
para a carreira. Após certificar-se da vocação
dela e fazer a agência de modelos preencher questionários
esclarecendo por que o mercado precisava de alguém
como ela, sentiu-se mais seguro em deixar a garota de 14 anos
sair da pequena Horizontina (RS) para morar em São
Paulo. As reflexões de Valdir foram transformadas em
seu primeiro livro Como Construir a Si Mesmo, lançado
em 1997, e ajudaram as outras filhas – Raquel, Graziela,
Patrícia, Gabriela e Rafaela – a também
encontrar seus caminhos. Hoje Valdir cursa Sociologia e lançou
com o historiador Jacob Petry O Enigma da Mudança
– Mudar é Romper (Editora AGE, 152 págs.,
R$ 29), que une romance e filosofia.
Do que trata neste livro?
Não sou escritor, apenas compartilho exemplos de vida.
Achei que criar um romance seria uma forma light
para passar uma mensagem. Jacob criou os três personagens
que vivenciam esse mundo dos intangíveis. O livro também
aborda Habermas (Jürden Habermas), um filósofo
contemporâneo que expõe a importância do
diálogo.
O senhor dá conselhos
para suas filhas?
Sou um sinalizador. Cuido para não dizer o que elas
devem fazer. Se não vão dizer: “O senhor
mandou fazer isso e por isso não funcionou”.
Sinalizo o contexto e deixo elas fazerem suas escolhas, até
de namorado. Não interfiro em nada. Mas quando sou
perguntado, dou a resposta com transparência.
Como é ser pai da modelo
número um do mundo?
É honroso, é maravilhoso. Tudo o que um pai
quer é que o filho esteja feliz. Me perguntaram o que
eu senti quando vi Gisele no Oscar. Sinceramente, do fundo
do coração, só me perguntei se ela estava
feliz. Ela deve ter passado pela ansiedade e depois pelo momento
de frustração (quando o namorado Leonardo
Di Caprio não ganhou o prêmio de Melhor Ator).
A preocupação dos pais não é só
saber onde o filho está, mas como está.
Como lida com o fato de ter
uma filha excepcional dentro de casa onde tem outras cinco
meninas?
A gente não precisou fazer nada sobre isso. Cada um
entendeu que tinha uma aptidão diferente. Tanto que
nenhuma quer ser o que Gisele é. Todo mundo tem o seu
papel. Uma quer ser advogada, outra é juíza,
uma é professora. Temos de tudo. O importante é
que elas se ajudem nessas diferenças. A Gisele é
muito querida com as irmãs. Tente imaginar ser criada
numa família tão grande e de repente se ver
sozinha. Ela tem sempre muita saudade.
Foi tranqüilo mesmo para
a Patrícia, que é gêmea de Gisele?
Elas têm uma identificação muito forte.
Patrícia sofreu com a distância, mas hoje tem
seu namorado e sua vida. Este ano, ela começou a cuidar
da organização e da retaguarda da irmã.
Ela formou-se em Relações Publicas e tem condições
de fazer o trabalho. Essa é uma outra preocupação,
que ninguém criasse dependência uma da outra.
A hora que pudessem formar um time, não teria problema,
mas cada uma dentro da sua aptidão.
Ao que atribui o fato de Gisele
ter conseguido tanto sucesso?
Acho que não é um fato único, é
uma somatória de fatores favoráveis. Sorte é
quando a oportunidade encontra preparo. Se não houvesse
aquele momento para aquele tipo de pessoa, talvez ela não
tivesse alavancado tanto. Mas como era um momento de mudança
e o mundo estava precisando de uma pessoa assim, ela estava
pronta. Ela tem luz própria e uma disciplina fantástica.
Corre atrás dos seus sonhos, dos seus projetos e sabe
o que quer. Percebe claramente o que precisa ser feito. Ela
tem essa graça de Deus, essa aptidão que enxerga
o óbvio antes da média (das pessoas).
Ela já demonstrava essas
características quando criança?
Ela sempre foi uma criança lutadora. Gisele sempre
foi de defender as outras duas irmãs que iam com ela
na aula. Ela era a mais alta.
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