Entrevista  
“Eu toparia ter outro filho, mas
não tenho mais idade. Estou com 50 anos, acho arriscado demais”, diz Silvia, mãe de Ana, 4 anos
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Silvia Poppovic
‘‘Minha filha não sabia quem eu sou’’
Após três anos, a apresentadora retorna à tevê com programa na Cultura, conta como se dedicou à criação de Ana, 4, e, nas horas vagas, fez e vendeu uma coleção de bolsas
texto: Jonas Furtado
fotos: claudio gatti

Nunca a casa da apresentadora Silvia Poppovic, 50, esteve tão florida. Nos dias que antecederam a estréia na TV Cultura, em 31 de março, à frente do programa que leva seu nome, Silvia recebeu mais de 40 buquês parabenizando-a pelo retorno ao trabalho. Depois de 13 anos na Band, Silvia estava há três longe da telinha. Nesse período, ao lado do marido, Marcelo Bronstein, com quem está há 10 anos, e da filha Ana, de 4, foi atrás de qualidade de vida. Foi tão feliz nessa busca que a transformou em tema de seu programa na Cultura. “Qualidade de vida não tem a ver com dinheiro, mas com uma consciência de que você pode garantir e interditar certas coisas que não lhe agradam”, diz ela.

Como surgiu a idéia do programa?
Faltava um programa que falasse de qualidade de vida, de viver bem. Ou há os programas da tevê a cabo, que são mais sofisticados, ou não tem nada. Ter qualidade de vida é uma conquista, se você investir nisso, for atrás, tiver informação. Meu programa vai dar muita informação nesse sentido: saúde, estilo, lazer, bichos de estimação.

Na Cultura você não ganha em merchandising, como acontecia na Band.
Posso voltar a ganhar, atendendo às limitações da Cultura, que são as mesmas que faço para mim. Nunca fiz merchandising de barbatana de tubarão, de cogumelo não sei o quê. Deixei de ganhar muito dinheiro na vida por princípio. Não queria enganar o público, dizendo que acreditava que aquilo seria bom para ele. Nas próximas cinco semanas, o espaço de comercial do programa está lotado. Bom para a Cultura também, que precisa desse dinheiro.

Ao sair da Band, ficou com mágoa?
Foi tumultuado. Depois de 13 anos na Band, com excelente relacionamento, não saí da melhor maneira. Mas esse assunto
já passou. A gente já se entendeu, já até me chamaram para
voltar em outra circunstância. Está tudo bem.

Nesses três anos fora do ar, sentiu-se perdida como dona
de casa?

Nunca deixei de ser dona da casa, mesmo enquanto trabalhava.
Sempre fui dona de casa e, sem modéstia, boa dona de casa. Minha casa está sempre arrumada, mas me envolvi na função de mãe. Isso (estar fora do ar) não me aborreceu, não tive depressão. Sabia que voltaria a trabalhar, porque sempre trabalhei. Nestes três anos fiz
muitas palestras, para ginásios lotados com 3 mil pessoas. Entrava
lá e falava: “Gente, que pena que não sei cantar”. Falo bastante sobre
a questão do tempo, qualidade de vida. Esse período me fez ter a certeza: quando me desafoguei da rotina do programa diário, descobri outros interesses que tenho e estavam parados.

Por exemplo.
Fiz uma coleção de 200 bolsas com flores e chapéus que nós, eu
e minha melhor amiga, vendemos em dois dias. Fizemos a coleção
as duas, à mão. Fomos no Bom Retiro, na 25 de Março (pontos tradicionais de comércio em São Paulo), compramos matéria prima, flores artificiais importadas. É uma energia compulsiva criativa que existe dentro de mim, legal de poder botar para fora. Fiz duas reformas neste apartamento e numa casa do clube de campo. Decorei apartamento, fiz o quarto da Ana, que é uma maluquice só. Não paro, sou muito ativa, aprendi a mexer bem no computador. Tirei o atraso. Como tenho a Ana agora, não pretendo abandoná-la porque voltei
ao trabalho.