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“Quero que as mulheres se sintam poderosas e atraentes. Se você é confiante, é bonita”, afirma Diane von Furstenberg
CAPA
Nos anos 70, Diane mereceu destaque na Newsweek ao chegar a vender nos Estados Undios
25 mil vestidos transpassados
por semana: um modelo que dispensava botões e zíperes criado por ela
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Sociedade
A força de um ícone

Criadora do wrap-dress, Diane von Furstenberg casou-se com
um príncipe, abalou Nova York nos anos 70, mas como Cinderela moderna deixou o castelo para se transformar em mito da moda. Em visita ao Brasil, fala de sua trajetória de glamour e de grandes paixões, inclusive por um brasileiro
Texto: Eliane Trindade
foto: Piti Reali
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Fotos: Divulgação
Vida de princesa À esq., Diane e o primeiro marido, o príncipe Egon von Furstenberg. No centro, com o atual marido, o bilionário Barry Diller. À dir., nos anos 70, usando um dos seus famosos wrap-dress.Embaixo, o bracelete Sutra, de sua linha de jóias

Diane von Furstenberg é a vitrine perfeita para suas criações, inspiradas em seu glamouroso estilo de vida. Princesa, estilista, empresária de moda e personalidade do jet-set internacional, ela circula em plena luz do dia de uma ensolarada tarde paulistana com um reluzente power ring (anel de poder, literalmente), uma das 45 peças da seis linhas que criou em parceira com a joalheria brasileira H.Stern. O anel em ouro amarelo com um enorme cristal de rocha foi idealizado em três tamanhos, mas a sua criadora prefere o gigante (R$ 12.300). “Quero que as mulheres se sintam poderosas e atraentes. Se você é confiante, é bonita”, decreta Diane, 58 anos, que se converteu em ícone fashion na década de 70 ao criar os vestidos-envelopes (wrap-dresses), que viraram febre nos Estados Unidos ao simbolizar a liberação feminina. Confiança, poder e beleza certamente são atributos que fazem de Diane uma Cinderela moderna, que trocou o castelo pelos salões mais badalados dos Estados Unidos e Europa. “Muitos contos de fadas terminam quando a mocinha se casa com o príncipe. O meu começou quando me casei”, diz ela, econômica sobre o casamento com o nobre austríaco Egon von Furstenberg, que durou quatro anos.

Jovens e belos, o príncipe e sua mulher belga desembarcaram em Nova York no início da década de 70 e foram definidos na capa da Time como “O Casal Que Pode Tudo”. “O título de princesa só era bom para conseguir mesas em restaurantes”, brinca Diane, que continuou amiga do ex-marido, com quem teve um casal de filhos. Egon, que morreu em junho do ano passado, era um apaixonado pelo Brasil. Diane também. Ela já visitou o País várias vezes e entende bem o português, graças à influência de um amor de juventude, o brasileiro Paulo Fernandes. “Nos conhecemos em Bali e namoramos de 1980 a 1984”, conta a estilista, que por causa dessa paixão se separou do magnata das comunicações Barry Diller, com quem viria a se casar três décadas depois. “Nós nos conhecemos há 30 anos, nos apaixonamos e vivemos juntos por cinco anos, mas eu o deixei por causa do Paulo”, explica Diane. “Mas Barry me esperou por 26 anos.”

Além de suscitar paixões, Diane conquistou amizades estreladas, como Warren Beatty, Madonna e Uma Thurman, que freqüentam sua mansão em Bel Air, exclusivo bairro de Los Angeles. Mas a cidade que Diane escolheu para viver foi Nova York, onde instalou-se em um prédio inteiro no Meat Packing District, o novo point badalado da moda. É ali que voltou a funcionar a sua grife DFV. Depois de vender 5 milhões de wrap-dresses por semana e virar capa do Wall Street Journal e da Newsweek, Diane decidiu fechar o negócio em meio a um processo de expansão mal planejado. Na década de 80, mudou-se para Paris e entrou para o ramo editorial. Só voltou ao mundo da moda em 1997. “Sou muito orgulhosa do que fiz ainda muito jovem. Criei uma marca, mas a perdi. Agora, voltei ao negócio com muito mais experiência”, relata Diane, que traz no sangue a força para enfrentar desafios. Sua família é sobrevivente de um campo de concentração nazista, de onde sua mãe saiu pesando meros 28 quilos. A estilista também sobreviveu a um câncer na boca. “Passei a apreciar ainda mais a vida”, diz ela, que aproveitou como ninguém os embalos do lendário Studio 54 em Nova York, foi musa de Andy Warhol e viaja o mundo em busca de inspiração. “Gosto de criar em cima da minha própria vida. Viajo muito, observo bastante e as minhas criações acabam surgindo deste aprendizado”, diz a estilista, que vai mergulhar no azul profundo do mar de Fernando de Noronha ao final da maratona de lançamento da linha de jóias no Brasil. De lá podem sair idéias como as que trouxe na bagagem ao visitar a Índia: as pulseiras Sutra, a peça mais cara de sua coleção para a H.Stern, com seus 6.531 diamantes e que custa R$ 408 mil. Uma jóia para mulheres com o estilo e a conta bancária de Diane von Furstenberg.