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Indicado várias vezes ao Prêmio Nobel de Literatura,
o albanês Ismail Kadaré ficou conhecido no
Brasil por ter um de seus romances mais famosos, Abril
Despedaçado, adaptado para o cinema por Walter
Salles. E não foi o único de sua obra a ganhar
uma adaptação. O General do Exército
Morto (Objetiva, 312 págs, R$ 44,90), publicado
em 1970 e só agora lançado no Brasil, também
chegou às telas em 1983, numa versão dirigida
por Luciano Tovoli, com Marcello Mastroianni e Anouk Aimée.
Tanto em um caso como no outro, a leitura supera a visão.
O General do Exército Morto acompanha a
saga de um general italiano, encarregado de recuperar os
despojos dos soldados de seus compatriotas na Albânia,
20 anos depois de terminada a Segunda Guerra Mundial. Ele
vai acompanhado de um padre, que o ajuda na tarefa de identificar
os lugares onde estariam enterrados os caídos. Mesmo
armado de mapas e indicações dos locais, a
tarefa da dupla começa a ser dificultada por uma
série de acasos desastrosos e pela ação
do tempo.
Kadaré fala dos horrores da guerra e de suas conseqüências
sem a solenidade que torna esse tipo de assunto pesado.
Ao invés disso, escolhe a sobriedade e, quando a
situação permite, arrisca uma dose
de humor. Com uma prosa límpida e de imagens poéticas,
o resultado é uma leitura arrebatadora e emocionante.
Por isso, o livro é considerado pelos críticos
um romance emblemático, por ter transformado os padrões
do gênero literário que tem como tema a guerra.
Melhor no papel do que na tela
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