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Com uma prosa límpida, Kadaré
fala das conseqüências da guerra sem solenidade

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Romance
O General do Exército Morto
Ismail Kadaré trata dos horrores da guerra em obra
de 1970 inédita no Brasil
Alessandro Giannini

Indicado várias vezes ao Prêmio Nobel de Literatura, o albanês Ismail Kadaré ficou conhecido no Brasil por ter um de seus romances mais famosos, Abril Despedaçado, adaptado para o cinema por Walter Salles. E não foi o único de sua obra a ganhar uma adaptação. O General do Exército Morto (Objetiva, 312 págs, R$ 44,90), publicado em 1970 e só agora lançado no Brasil, também chegou às telas em 1983, numa versão dirigida por Luciano Tovoli, com Marcello Mastroianni e Anouk Aimée.

Tanto em um caso como no outro, a leitura supera a visão. O General do Exército Morto acompanha a saga de um general italiano, encarregado de recuperar os despojos dos soldados de seus compatriotas na Albânia, 20 anos depois de terminada a Segunda Guerra Mundial. Ele vai acompanhado de um padre, que o ajuda na tarefa de identificar os lugares onde estariam enterrados os caídos. Mesmo armado de mapas e indicações dos locais, a tarefa da dupla começa a ser dificultada por uma série de acasos desastrosos e pela ação do tempo.

Kadaré fala dos horrores da guerra e de suas conseqüências sem a solenidade que torna esse tipo de assunto pesado. Ao invés disso, escolhe a sobriedade e, quando a situação permite, arrisca uma dose
de humor. Com uma prosa límpida e de imagens poéticas, o resultado é uma leitura arrebatadora e emocionante. Por isso, o livro é considerado pelos críticos um romance emblemático, por ter transformado os padrões do gênero literário que tem como tema a guerra. Melhor no papel do que na tela