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Vanessa e os alunos do
projeto Saque Só Mano: “Tem que saber dar bronca também”,
afirma |
Ela é uma das mais vitoriosas jogadoras de tênis que
o Brasil já teve. Medalha de ouro no Pan-Americano de Winnipeg,
em 1999, e com mais de 70 títulos conquistados, Vanessa Menga
preparava-se para tentar o bicampeonato panamericano quando, em maio
de 2003, sua vida teve uma grande virada. Logo após vencer
um torneio de duplas em Nápoles, na Itália, Vanessa
pegou emprestado a moto de uma amiga para dar uma volta. Em questão
de segundos, o que era para ser um divertido passeio transformou-se
num perigoso acidente que pôs fim à sua carreira profissional.
“Não tenho muita prática e um cara me fechou,
me assustei e freei. Caí em cima do meu braço direito
e quebrei três ossos. Fiquei toda ralada, tenho marcas até
hoje”, conta a tenista, que teve seus movimentos limitados
devido às fraturas. “Não daria mais para treinar
seis horas por dia.” Frustrada com o fim abrupto de sua carreira,
Vini, como é chamada pelos amigos, entrou em depressão.
Desde os 14 anos, quando foi morar em uma clínica de tênis
em Barcelona, na Espanha, toda sua rotina estava estritamente ligada
ao esporte que começou a praticar aos quatro anos.
“Foi um golpe muito grande. Perdi praticamente a única
coisa que sabia fazer. Fiquei oito meses em casa, fazendo tratamento
com meus médicos (ela faz medicina ortomolecular há
9 anos), saía apenas para fazer fisioterapia”, afirma.
“Estava um pouco perdida, não sabia direito o que fazer.
Mesmo antes de parar de jogar todo atleta sente isso, fica a dúvida
do que vem depois do final da carreira.”
Com apoio da família e dos amigos, aos poucos, as nuvens
negras em torno de Vanessa se dissiparam, ela passou a aceitar sua
nova realidade e começou a elaborar planos que pudessem encaminhá-la
para novos rumos profissionais e pessoais. Dessas idéias,
colocadas no papel com a ajuda do pai, no final de 2003 surgiu o
Saque Só Mano, projeto no qual ensina crianças carentes
de escolas públicas a jogar tênis. As aulas começaram
há um ano. “Era um sonho antigo, sempre me identifiquei
muito com crianças. Tem de ter paciência, mas tem que
saber dar bronca também.”
Se o tênis ganhou uma professora de primeira linha, a gastronomia
perdeu uma chef em potencial.
“Adoro cozinhar. Quando estava em dúvida quanto ao meu
futuro até pensei em fazer uma faculdade de gastronomia”,
diz Vanessa, que em dezembro foi uma vez por semana ao restaurante
Dom aprender novas receitas com o renomado chef, e seu amigo, Alex
Atala. “É meu hobby de final de semana.
Vou ao supermercado, compro ingredientes e invento pratos diferentes.
Geralmente sou minha própria cobaia”, diverte-se ela,
que a partir de abril acumulará também a função
de repórter. Na Band, Vanessa apresentará os boletins
“Rumo ao Ouro”, com informações sobre a
preparação dos atletas brasileiros para o Pan-Americano
de 2007, no Rio de Janeiro. “Agradeço todos os dias porque
hoje minha vida está encaminhada”, comemora.
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