| Ainda que a todos
impressionasse pela beleza perturbadora, moldada em
1,90 m e 86 quilos, Rodrigo Hilbert, imaginem, queria
ser ferreiro. Era tudo o que sonhava até os
18 anos quando, por um golpe do acaso, foi descoberto
por um olheiro. Tinha dez quilos menos e uma timidez
que o fazia correr dos flashs fotográficos
nas festas de aniversário. “Sempre fui
muito envergonhado, então para entrar na carreira
de modelo tive que travar uma guerra comigo mesmo”,
diz ele, aos 24 anos. A determinação
para ganhar espaço no mundo da moda surpreendeu
até os pais, acostumados a ver o filho se esconder
no fundo da ferraria do avô com máscaras
no rosto, luvas e maçarico nas mãos
criando portas, portões, mesas, camas e cadeiras.
Se a beleza se impôs ao antigo ofício,
hoje Rodrigo esculpe, à ferro e fogo, o talento
artístico. “Agora minha luta é
para me tornar um bom ator e para isso estou estudando
muito”, garante ele, no ar em América.
Bem diferente do jovem que deixou Orleans, município
de Santa Catarina com cerca de 20 mil habitantes,
onde Rodrigo nasceu. Não pensava em sair de
lá e queria ser como o avô, Henrique
Ernesto Hilbert, 86 anos, o ferreiro de Orleans. “Meu
avô não queria que eu trabalhasse antes
dos 15 anos mas aos 12 eu insisti tanto que ele permitiu”,
conta. Ajudava o avô depois da escola e logo
mostrou que era mais talentoso que os dois irmãos
e os primos. Estava no sangue, Rodrigo tinha nascido
para herdar a ferraria. “Hoje quem cuida dela
são dois primos meus. Mas sempre que volto,
vou lá, fazer uma ou outra peça”,
diz.
Há dois anos fez um castiçal que deu
de presente para a namorada, a modelo e apresentadora
de tevê, Fernanda Lima. “Ainda não
namorávamos mas somos muito ligados há
muito tempo”, conta com o rosto ligeiramente
ruborizado. Afinal, o namoro entre eles só
começou há 5 meses e desde então
não se desgrudam. “A gente se gosta e
estamos bem”, resume. Rodrigo ainda quer presentear
a namorada com outras peças e diz que alimenta
o sonho de montar um atelier em seu apartamento. “Quero
fazer arte com a ferraria, tenho jeito e gostaria
de esculpir”, revela.
Mas no momento sua atenção está
voltada para as gravações da novela.
“Quero dar tudo de mim para fazer o personagem
crescer”, garante. Para isso vem estudando interpretação
há quatro anos. “Quando fiz a minha primeira
novela, Desejo de Mulher, não estava preparado
e fui muito mal, eu sei”, avalia. De lá
para cá gastou todo seu dinheiro com cursos
e aprimoramento da técnica, o que incluiu a
montagem de uma peça de teatro com amigos do
Rio de Janeiro inteiramente custeada pela ator. “Foi
uma grande experiência”, diz. Trabalhou
em dois filmes e fez ponta em mais duas novelas, Da
Cor do Pecado, quando interpretou o espírito
Roberval que encarnava no personagem do ator Matheus
Nachtergale para ajudá-lo a conquistar mulheres,
e o motorista de caminhão que levou Maria do
Carmo (Carolina Dieckman) do Nordeste para
o Rio de Janeiro em
Senhora do Destino. “Estou apenas engatinhando
na profissão onde ainda quero voar alto”,
promete.
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