Reportagens  
“Sempre fui muito envergonhado”, diz o ator. “Para me tornar
modelo tive que travar uma guerra comigo mesmo”
• • •
Carreira
Com sangue de ferreiro

Rodrigo Hilbert sonhava até os 18 anos herdar a ferraria do avô, com quem trabalhou em Santa Catarina, presenteou Fernanda Lima com um castiçal feito por ele bem antes do namoro e diz que hoje luta para ser um bom ator
Cecília Maia
foto: Felipe Barra

Enviar para um amigo

Ainda que a todos impressionasse pela beleza perturbadora, moldada em 1,90 m e 86 quilos, Rodrigo Hilbert, imaginem, queria ser ferreiro. Era tudo o que sonhava até os 18 anos quando, por um golpe do acaso, foi descoberto por um olheiro. Tinha dez quilos menos e uma timidez que o fazia correr dos flashs fotográficos nas festas de aniversário. “Sempre fui muito envergonhado, então para entrar na carreira de modelo tive que travar uma guerra comigo mesmo”, diz ele, aos 24 anos. A determinação para ganhar espaço no mundo da moda surpreendeu até os pais, acostumados a ver o filho se esconder no fundo da ferraria do avô com máscaras no rosto, luvas e maçarico nas mãos criando portas, portões, mesas, camas e cadeiras. Se a beleza se impôs ao antigo ofício, hoje Rodrigo esculpe, à ferro e fogo, o talento artístico. “Agora minha luta é para me tornar um bom ator e para isso estou estudando muito”, garante ele, no ar em América.

Bem diferente do jovem que deixou Orleans, município de Santa Catarina com cerca de 20 mil habitantes, onde Rodrigo nasceu. Não pensava em sair de lá e queria ser como o avô, Henrique Ernesto Hilbert, 86 anos, o ferreiro de Orleans. “Meu avô não queria que eu trabalhasse antes dos 15 anos mas aos 12 eu insisti tanto que ele permitiu”, conta. Ajudava o avô depois da escola e logo mostrou que era mais talentoso que os dois irmãos e os primos. Estava no sangue, Rodrigo tinha nascido para herdar a ferraria. “Hoje quem cuida dela são dois primos meus. Mas sempre que volto, vou lá, fazer uma ou outra peça”, diz.

Há dois anos fez um castiçal que deu de presente para a namorada, a modelo e apresentadora de tevê, Fernanda Lima. “Ainda não namorávamos mas somos muito ligados há muito tempo”, conta com o rosto ligeiramente ruborizado. Afinal, o namoro entre eles só começou há 5 meses e desde então não se desgrudam. “A gente se gosta e estamos bem”, resume. Rodrigo ainda quer presentear a namorada com outras peças e diz que alimenta o sonho de montar um atelier em seu apartamento. “Quero fazer arte com a ferraria, tenho jeito e gostaria de esculpir”, revela.

Mas no momento sua atenção está voltada para as gravações da novela. “Quero dar tudo de mim para fazer o personagem crescer”, garante. Para isso vem estudando interpretação há quatro anos. “Quando fiz a minha primeira novela, Desejo de Mulher, não estava preparado e fui muito mal, eu sei”, avalia. De lá para cá gastou todo seu dinheiro com cursos e aprimoramento da técnica, o que incluiu a montagem de uma peça de teatro com amigos do Rio de Janeiro inteiramente custeada pela ator. “Foi uma grande experiência”, diz. Trabalhou em dois filmes e fez ponta em mais duas novelas, Da Cor do Pecado, quando interpretou o espírito Roberval que encarnava no personagem do ator Matheus Nachtergale para ajudá-lo a conquistar mulheres, e o motorista de caminhão que levou Maria do Carmo (Carolina Dieckman) do Nordeste para o Rio de Janeiro em
Senhora do Destino. “Estou apenas engatinhando na profissão onde ainda quero voar alto”, promete.

Comente esta matéria