Saúde  
Musculação contra osteoporose
O exercício se transformou na principal arma de prevenção e
tratamento contra a doença que atinge mais as mulheres
Ari Stiel Radu

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Murillo Constantino
Ari: caminhar em calçadas
ruins favorece quedas

A caminhada deixou de ser a melhor opção de exercício físico para os portadores de osteoporose. Com o avanço do conhecimento científico, o exercício muscular resistido (popularmente conhecido como musculação), realizado com assistência especializada, tem se demonstrado, junto com a conduta medicamentosa e nutricional, a principal arma para prevenção e tratamento destes pacientes. Extremamente comum e debilitante, a osteoporose é uma doença causada por uma deficiência na mineralização dos ossos do esqueleto, que o deixa mais frágil e propenso a fraturas. Mulheres após a menopausa constituem o grupo de maior risco, porém a osteoporose também pode acometer homens na terceira idade.

As fraturas são exatamente o motivo pelo qual a osteoporose pode ser tão grave. Elas acometem principalmente a coluna e a bacia de uma popu-
lação idosa, levando à imobilidade e muita dor – com enormes conseqüên-
cias para a qualidade de vida destas pessoas e, inclusive, complicações médicas mais sérias decorrentes da imobilização prolongada.

O tratamento e prevenção da osteoporose envolvem medidas que aumentem a densidade óssea. O osso submetido a cargas por meio de exercícios físicos ganha estímulo a sua modelação e se fortalece. Todo este processo depende do tipo de força, da intensidade e distribuição com que ela é aplicada e do número de ciclos realizados. Muito embora uma simples caminhada forneça a carga necessária para estimular o osso, a musculação praticada com assistência especializada permite controlar todas as variáveis do exercício de forma a maximizar a eficiência do exercício.

Um segundo ponto são os riscos da caminhada, principalmente em grandes cidade. Além da segurança, há o problema da péssima qualidade das calçadas, que facilitam quedas. Nesta população com osteoporose, queda é exatamente o que não se deseja. Cerca de 95% das fraturas de fêmur são conseqüência de quedas, principalmente no ambiente doméstico, mas também fora de casa. Por outro lado, a musculação é praticamente isenta de riscos, desde que realizada com cuidados especializados.

Outro fator remete à força muscular. Mulheres após a menopausa e homens na terceira idade desenvol-
vem normalmente uma rápida perda de massa muscular (conhecida como sarcopenia). Relacionada à idade, a sarcopenia é um dos principais fatores que levam a distúrbios de marcha nos idosos e facilitam assim as quedas freqüentes que causam as fraturas. A musculação, além de aumentar a densidade do osso, atua também melhorando a força muscular e, conseqüentemente, diminuindo o risco de fraturas.

Ari Stiel Radu é doutor em reumatologia pela Universidade de São Paulo, vice-presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia, chefe do ambulatório de coluna do Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo e presidente do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Reumatologia

Pílulas
 

» O osso humano precisa de estímulos para sua modelação, sem isso ele “enfraquece” com o tempo. Nas pessoas que praticam exercícios físicos regularmente, o osso recebe mais estímulos e se “fortalece”.
» Astronautas no espaço, pessoas acamadas por muito tempo e sedentários estão no grupo
que corre o risco de ter ossos frágeis. A osteoporose tem grande impacto devido às fraturas
que provoca.

» O tratamento e a prevenção da osteoporose requerem medidas que aumentem a densidade óssea e diminuam o risco de quedas.

 
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