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Piti Reali
Leonor em 2000: ela chegou
a pesar 126 kg. “Antigamente,
ia em loja de grife e as únicas coisas que me serviam eram agenda e chaveiro”, diz ela
“Quando comecei a emagrecer, meu marido pegava no meu braço e dizia: ‘Cadê o toucinho que tava aqui?’’’ Leonor Corrêa, que é casada com Anthony Richie, 63
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Superação
Do tamanho 60 para o 42

A apresentadora Leonor Corrêa volta à tevê 59 kg mais
magra dois anos após a cirurgia de redução do estômago,
mas não indica a operação para o irmão Faustão
texto: Jonas Furtado
foto: Wellington Cerqueira

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No final do ano passado, Leonor Corrêa realizou um antigo sonho: comprou uma calça da Forum. “Antigamente, ia em loja de grife e as únicas coisas que me serviam eram agenda e chaveiro”, diz a apresentadora. Em fevereiro de 2003, ela se submeteu a uma cirurgia de redução de estômago. Dois anos depois, já perdeu 59 kg (antes, pesava 126 kg; hoje, está com 67 kg), trocou o manequim 60 pelo 42 e abdicou dos doces. Foi com esse novo visual que a irmã de Fausto Silva, o Faustão, surpreendeu os telespectadores no dia 21 de fevereiro, ao voltar a apresentar o Melhor da Tarde, na Band.

Leonor considerou fazer a cirurgia pela primeira vez em 2002, quando a filha completou um ano. Sentindo-se cansada além do normal, fez exames que revelaram um diabetes. “O susto foi grande. Estava com 40 anos, tinha diabetes, pressão alta e 125 kg”, lembra. “Queria ver a minha filha crescer. Já tinha feito todas as dietas e, para ficar saudável, não bastava ir para um spa e emagrecer 20, 30 quilos. Precisava tomar uma decisão radical.” Foi, então, a uma palestra no Hospital Albert Einstein. Em seguida, comentou no ar sobre a dúvida de fazer ou não a cirurgia. O apoio dos telespectadores foi o empurrãozinho que faltava.

“A cirurgia de redução do estômago é indicada para pessoas que tenham o índice de massa corpórea acima de 40, ou entre 35 e 40 desde que tenham alguma doença associada à obesidade, como diabetes e hipertensão”, diz Thomas Szegö, cirurgião do Einstein. A disciplina de Leonor no pós-operatório foi determinante no número de quilos perdidos. “Ela foi uma paciente exemplar, seguiu todas as orientações. Come normalmente, em quantidades pequenas e devagar. Alguém assim consegue estar em uma mesa com as demais pessoas sem chamar a atenção”, elogia o médico.

“Me sinto mil vezes melhor. A auto-estima melhora 200%. Quando você é gorda, todos os dias sente-se menor, inferior, menos interessante, menos mulher”, diz Leonor. “O gordo se preocupa até com o lugar em que vai sentar no restaurante para, ao levantar, conseguir passar entre as mesas.” Mas a apresentadora ainda não está totalmente satisfeita com o novo visual. “Perder essa quantidade de peso depois dos 40, já viu, né? Sobra pele que é uma coisa.” Ela já passou por três plásticas (nos braços, no rosto e colocou silicone) desde a operação e quer fazer mais duas (na barriga e nas pernas). “O Fausto diz que depois que eu fizer todas as plásticas vou abastecer em pele uma bateria de escola de samba”, diverte-se Leonor, que não recomenda a cirurgia ao irmão. “Mesmo que precisasse, ele não faria. Primeiro, porque homem é medroso. Segundo, porque ele é o Faustão, não dá para virar o Faustinho. É a imagem dele.”

Em casa, além de elogios, Leonor ouve com bom humor as brincadei-
ras do marido Anthony Richie, 63. “Quando comecei a emagrecer, ele pegava no meu braço e dizia: ‘Cadê o toucinho que tava aqui?’”, conta. Mãe de Júlia, de 3 anos, ela diz que suas quatro décadas como obesa fizeram com que tivesse uma preocupação especial com a alimen-
tação da filha. “Não sou neurótica, mas Júlia sempre teve uma alimen-
tação saudável, aprendeu a gostar de brócolis e adora quiabo e frutas. Durante a semana, não tem doce, nem refrigerante.”

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