Saúde  
Cirurgia contra celulite
A técnica, específica para estágios mais avançados, reforça
o arsenal contra um dos principais vilões do corpo feminino
Priscila de Souza Pinto Abdalla

Enviar para um amigo
Leia colunas anteriores

Murillo Constantino
Priscila: o pós-operatório
é tranqüilo

A celulite atinge 95% das mulheres em alguma fase da vida. As suas causas não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que há uma predisposição hereditária, assim como alterações hormonais também estão envolvidas. As regiões mais atingidas pela celulite são aquelas onde as mulheres costumam acumular mais gordura: abdome, quadris, culotes, nádegas, coxas e pernas. Em alguns casos crianças também apresentam de forma leve.

As células gordurosas são chamadas de adipócitos e se localizam na camada mais profunda da pele. Esta camada contém fibras ligando a superfície ao tecido mais profundo; as fibras repuxam a pele para baixo, dando o aspecto de “furinhos”, que é característico da celulite. Alguns fatores como a puberdade, gravidez e uso de pílulas anticoncepcionais podem piorar o quadro, levando a uma alteração da circulação sanguínea e linfática, com acúmulo de líquidos e proteínas nas células de gordura, provocando uma irregularidade da pele, o aspecto de “casca de laranja”.

A celulite pode ser dividida em:
Grau 1: os furinhos só são percebidos quando a pele é comprimida;
Grau 2: os furinhos já são percebidos sem comprimir a pele. Às vezes é possível sentir alguns nódulos;
Grau 3: os nódulos são bastante perceptíveis e têm consistência endurecida, demonstrando que já houve formação de cicatriz interna (fibrose). Pode haver dor local;
Grau 4: presença de macronódulos, furos profundos e flacidez.

A cirurgia para celulite, uma das novidades do VI Simpósio Internacional de Cirurgia, que acontecerá de 18 a 20 de março, em São Paulo, é indicada apenas nos graus de 2 a 4. Essa cirurgia deve ser realizada por um cirurgião plástico que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e o paciente deve ser submetido a exames pré-operatórios como em qualquer cirurgia.

Depois de demarcada a região, é feita uma assepsia (limpeza rigorosa), só então a área é infiltrada com uma solução de soro fisiológico e anestésico. Essa infiltração difere da feita na lipoaspiração, pois é mais superficial. É feita uma incisão de mais ou menos 1cm, para a colocação de uma cânula própria que possui um “anel” na sua extremidade. É este “anel” que rompe as fibras que causam o aspecto de “casca de laranja”, em movimentos repetidos de ida e volta. No primeiro movimento (ida) rompem-se as bandas e no segundo (volta) desprendem-se os acúmulos de gordura. É válido destacar que no procedimento não há aspiração em nenhum momento.

É feita, então, uma manobra de deslizamento em direção ao orifício da pele, que nos permite a retirada do excesso de gordura, e uma redistribuição uniforme da gordura remanescente.

O curativo é retirado após 48 horas. Eventualmente é usada uma cinta compressiva. Os pontos da in-
cisão são retirados no período de 7 a 10 dias. O pós-operatório é tranqüilo e o paciente deve fazer um repouso relativo, evitando esforços físicos por 15 dias. Após a cirurgia, recomenda-se manter uma dieta saudável (eliminar frituras, refrigerantes e reduzir gorduras), fazer drenagens linfáticas de manutenção, manter atividade física pelo menos três vezes por semana. Se houver descontrole hormonal, fazer um tratamento especifico (cistos no ovário, por exemplo). O resultado é bom, o que torna a técnica uma
aliada a mais das mulheres.

Priscila de Souza Pinto Abdalla é cirurgiã plástica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, preceptora da Residência de Cirurgia Plástica da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP), e coordenadora da Seccional-Litoral da SBCP na Regional de São Paulo. No VI Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, presidirá a Conferência sobre Contorno Corporal com Ênfase no Pós-Obeso.

Pílulas
 

» Para pessoas que têm celulite de grau 1, o mais indicado é fazer drenagem linfática manual,
massagem e endermologia.

» A endermologia é uma drenagem linfática com um aparelho específico, que tem ação de "rolamento" sobre pele e vácuo, que tenta uniformizar o tecido gorduroso.

» A ginástica aumenta a circulação sanguínea no local e diminui a flacidez, ajudando a melhorar o quadro.

» O preço da cirurgia varia entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, segundo enquete com cirurgiões que já utilizam a técnica.

 
Comente esta matéria