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Livros - Romance
Filha da
Fortuna
Isabel Allende retoma a ficção
para falar de liberdade
Gabriela
Mellão
A jornalista
e escritora chilena Isabel Allende volta à ficção
com um romance ambientado na corrida pelo ouro da Califórnia,
iniciada em 1849. O mesmo gênero literário que a levou
à lista dos best sellers em seu célebre livro de estréia,
A Casa dos Espíritos, e não era praticado desde a
perda de sua filha Paula, em 1992 (narrada com rara sensibilidade
em Cartas a Paula).
Valeu a espera.
Em Filha da Fortuna (Ed. Bertrand, 476 págs., R$ 38), Isabel
Allende continua com sua linguagem emotiva e acessível. As
mulheres, como nas outras obras, são admiráveis. Desta
vez, a história gira em torno de Eliza Sommers, uma jovem
chilena da segunda metade do século 19 que descobre a liberdade
nos Estados Unidos. Iludida com o primeiro amor, parte em busca
do amante, Joaquín Andieta, que deixou o Chile para tentar
a sorte nas minas de ouro. Eliza foge para a Califórnia se
fazendo passar por um garoto e vive o caos de uma região
que nasce sem planejamento ou leis, invadida por imigrantes obcecados
por riqueza.
Filha da Fortuna
surpreende com um desenrolar diferente do planejado por seus personagens.
A fixação de Eliza em rever o amante, por exemplo,
se mostra mais valiosa pela maneira como persegue seu objetivo.
É justamente no processo de busca que a protagonista amadurece,
percebe sua força e aprende a lidar com sonhos e frustrações.
E como o livro mergulha o leitor na vida de quase uma dezena de
personagens - que circundam o universo de Eliza -, pode-se dizer
que não vão faltar descobertas na leitura. Todos eles,
por menor atuação que tenham no romance, quebram suas
cascas e revelam uma essência aberta às boas coisas
da vida.
Sempre boa
Allende
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