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Cinema - Drama
O Talentoso
Ripley
Filme de Anthony Minghella retrata anti-herói
amoral
Neusa
Barbosa
| Foto: Divulgação |
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Espiando pelo
lado de fora da janela dos ricos, Tom Ripley (Matt Damon, Dogma)
anseia por uma vaga no andar de cima. A grande chance surge quando
ele se passa por alguém que não é: colega de
universidade do milionário Dickie Greenleaf (Jude Law, Gattaca).
Enganando os
pais de Dickie sobre a suposta amizade, Tom ganha dinheiro, uma
passagem para a Itália, uma ascensão fulminante e
as mãos sujas de sangue. Um dos mais intrigantes personagens
da literatura moderna, saído das páginas de O Sol
por Testemunha, de Patricia Highsmith, ganha sua segunda encarnação
cinematográfica no competente drama O Talentoso Ripley, estréia
da sexta-feira 18 que acumulou, nas primeiras semanas, US$ 75 milhões
na bilheteria americana. O sucesso não indica um filme fácil,
programa para diversão sem sustos temperada por refrigerante
e pipoca. Autor do roteiro, Minghella não amaciou nenhuma
das arestas que povoam a trama. Sob uma moldura marcada pela espetacular
fotografia e a cuidadosa montagem, o diretor recria a Itália
dos anos 50 sob uma luz dourada que não mascara o turbilhão
moral dos americanos expatriados que retrata.
O rico e lindo
Dickie manipula a namorada frágil, Marge (Gwyneth Paltrow,
Shakespeare Apaixonado), o amigo esnobe (Philip Seymour Hoffman,
Felicidade) e, a distância, o pai (James Rebhorn, Independence
Day). Dickie não quer deixar de ser uma criança grande,
gastando à vontade seu imenso patrimônio. Aparece em
sua vida o estranho Ripley, encarregado pelo pai de Dickie de trazer
o filho de volta a casa. Dickie aceita em termos o jogo desse Ripley
suburbano, tão sensível à riqueza quanto ao
poderoso sex-appeal do herdeiro Greenleaf - detalhe que incomodou
parte do público americano (leia
reportagem com o diretor Anthony Minghella).
Ameaçado
de descer desse barco cintilante, Ripley mostra outros instintos,
desses que não costumam ser aceitos num herói-padrão.Para
arrematar, o final escolhido pelo diretor (mais fiel ao livro do
que o desfecho moralista de O Sol por Testemunha, o filme francês
de 1959) não foi feito para embalar o sono dos justos. Mesmo
ultrapremiado, Minghella ainda acredita numa arte feita para inquietar.
O sucesso
a qualquer preço
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