21 de fevereiro de 2000
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Cinema - Drama

O Talentoso Ripley
Filme de Anthony Minghella retrata anti-herói amoral

Neusa Barbosa

Foto: Divulgação

Espiando pelo lado de fora da janela dos ricos, Tom Ripley (Matt Damon, Dogma) anseia por uma vaga no andar de cima. A grande chance surge quando ele se passa por alguém que não é: colega de universidade do milionário Dickie Greenleaf (Jude Law, Gattaca).

Enganando os pais de Dickie sobre a suposta amizade, Tom ganha dinheiro, uma passagem para a Itália, uma ascensão fulminante e as mãos sujas de sangue. Um dos mais intrigantes personagens da literatura moderna, saído das páginas de O Sol por Testemunha, de Patricia Highsmith, ganha sua segunda encarnação cinematográfica no competente drama O Talentoso Ripley, estréia da sexta-feira 18 que acumulou, nas primeiras semanas, US$ 75 milhões na bilheteria americana. O sucesso não indica um filme fácil, programa para diversão sem sustos temperada por refrigerante e pipoca. Autor do roteiro, Minghella não amaciou nenhuma das arestas que povoam a trama. Sob uma moldura marcada pela espetacular fotografia e a cuidadosa montagem, o diretor recria a Itália dos anos 50 sob uma luz dourada que não mascara o turbilhão moral dos americanos expatriados que retrata.

O rico e lindo Dickie manipula a namorada frágil, Marge (Gwyneth Paltrow, Shakespeare Apaixonado), o amigo esnobe (Philip Seymour Hoffman, Felicidade) e, a distância, o pai (James Rebhorn, Independence Day). Dickie não quer deixar de ser uma criança grande, gastando à vontade seu imenso patrimônio. Aparece em sua vida o estranho Ripley, encarregado pelo pai de Dickie de trazer o filho de volta a casa. Dickie aceita em termos o jogo desse Ripley suburbano, tão sensível à riqueza quanto ao poderoso sex-appeal do herdeiro Greenleaf - detalhe que incomodou parte do público americano (leia reportagem com o diretor Anthony Minghella).

Ameaçado de descer desse barco cintilante, Ripley mostra outros instintos, desses que não costumam ser aceitos num herói-padrão.Para arrematar, o final escolhido pelo diretor (mais fiel ao livro do que o desfecho moralista de O Sol por Testemunha, o filme francês de 1959) não foi feito para embalar o sono dos justos. Mesmo ultrapremiado, Minghella ainda acredita numa arte feita para inquietar.

O sucesso a qualquer preço

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