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Cinema - Drama
A Praia
DiCaprio envereda por trilha perigosa em
filme de Boyle
Paula
Alzugaray
Esta é
mais uma variação sobre um tema recorrente na filmografia
do diretor britânico Danny Boyle (Cova Rasa, Trainspotting,
Por Uma Vida Menos Ordinária): o escape da realidade. Sua
mais ambiciosa produção, A Praia - adaptação
do best seller homônimo do jovem escritor inglês Alex
Garland que pretende desmontar o mito do paraíso perdido
- traz de volta às telas o megastar Leonardo DiCaprio, dois
anos após o fenômeno Titanic. Boyle, cujo talento ficou
conhecido em produções alternativas, não nega
que A Praia foi concebido para grandes audiências.
Na busca de
apelo comercial, o diretor transformou o protagonista do romance
- um jovem e tímido inglês, que seria representado
por Ewan McGregor - no sedutor americano vivido por DiCaprio.
Apesar de ter
sido comparada a uma publicidade do Club Med com estética
Benetton, a aventura praiana de Boyle é uma bem acabada fusão
de ícones da cultura pop - trilha tecno, edição
com ritmo de videoclipe e uma divertida citação ao
videogame - e aposta na força da imagem fotográfica
(de Darius Khondji, Seven). Com esses elementos, a turma de Boyle
conduz o público a uma viagem sem escalas, com aterrisagem
acidentada, e Di Caprio se sai bem como guia da visita.
Richard (DiCaprio)
é um entre milhares de mochileiros em viagem pela Tailândia
ávidos por rotas alternativas ao turismo convencional que
tem a "sorte" de botar as mãos no mapa de uma praia
virgem e secreta. Acompanhado por um casal de franceses (Virginie
Ledoyen e Guillaume Canet), ele chega a um lugar supostamente paradisíaco:
uma comunidade de jovens descolados vivendo em harmonia sob o comando
de Sal (Tilda Swinton, Orlando).
Mas sob a aparência
de musa tecno-neohippie-nova era, Sal é na realidade uma
líder inescrupulosa, disposta a tudo para preservar seu paraíso.
Richard entra numa barca furada quando comete o pecado capital de
divulgar "a praia" para outros turistas.
A história
peca de verdade quando infringe a regra número um de qualquer
"manual do bom mochileiro": desvia seu herói do
contato com a cultura local, conduzindo-o a uma aventura fantasiosa
no centro de um gueto de ocidentais.
Viagem sem
passaporte
Ping-Pong
Danny Boyle
Wladimir Weltman,
de Los Angeles
Por que seus
personagens são sempre jovens?
Eles são a maioria do público de cinema - que varia
entre 18 e 28 anos. Também são as pessoas mais interessantes,
são gente antes de se acomodar. Meus filmes não são
domesticados. Como os jovens, eles são agressivos.
Quais as
vantagens de trabalhar em Hollywood?
Se você quer que os quatro cantos do planeta assistam ao seu
filme, você tem que fazê-lo em Hollywood. O importante
é manter sua identidade, tomar cuidado com as pessoas com
quem trabalha. E usar atores que valorizam a oportunidade de trabalhar
um pouco em choque com o sistema. Leonardo DiCaprio é assim.
Os atores
enfrentaram perigos?
Noticiaram tubarões, mas ninguém correu perigo. Descobri
que na Tailândia morre muito mais gente vítima de cocos
do que de tubarões. Sério. Todos os anos morrem mais
de dez pessoas vítimas de cocos que caem das árvores.
No livro
não existe a cena de amor incorporada ao filme.
O livro é muito inglês. Richard nunca diz o que está
sentindo. Preferimos fazer o personagem mais dinâmico e sacamos
que Richard chega a ser agressivo, na hora de obter o que quer.
A outra razão é que acho que o público quer
ver essas coisas.
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