|
Cinema - Comédia
Medo e Delírio
Terry Gilliam discute os excessos dos anos
70
Ramiro
Zwetsch
Cores vivas,
edição frenética, trilha sonora psicodélica
e enquadramentos não convencionais. Esses elementos somados
às interpretações precisas de Johnny Depp (A
Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, em cartaz nacional há
três semanas) e Benício Del Toro (Os Suspeitos) compõem
a fórmula do diretor Terry Gilliam (Os 12 Macacos) para Medo
e Delírio (em cartaz há uma semana em São Paulo
e com estréia nacional na sexta-feira 18).
O jornalista
esportivo Raoul Duke (Depp) é chamado para cobrir uma corrida
de motocicletas no deserto de Las Vegas. Por algum motivo - que
o filme não esclarece - ele resolve levar junto com ele seu
advogado, Dr. Gonzo (um Del Toro totalmente desfigurado, que engordou
mais de dez quilos para encarnar o personagem). Na bagagem, drogas
e bebidas de todas as espécies. Na estrada, nos cassinos
ou nos quartos de hotéis, eles aparecem sempre alucinados
em cenas de humor escrachado, que rendem boas risadas.
Os personagens
levam ao extremo a proposta de se drogar (misturando ácido
com cocaína e rebatendo a ressaca com mais LSD) e os excessos
levam às famosas "viagens sem passaporte" - com
instintos autodestrutivos e visões distorcidas da realidade,
como a transformação de personagens humanos em répteis
gigantescos. O diretor também exagera na alucinação
- não há uma cena no filme em que os protagonistas
apareçam sóbrios -, levando o espectador a uma sensação
de incômodo e um desejo de "cair na real".
As amarrações
do roteiro se confundem e algumas cenas parecem isoladas no enredo.
Talvez por isso Medo e Delírio não tenha emplacado
nas bilheterias americanas, quando foi lançado em 1998.
Embora toda
essa loucura seja tratada com humor, o filme caracteriza seus personagens
como irresponsáveis convictos, em uma crítica discreta
aos exageros da juventude dos anos 70.
Depp dá
seu show à parte de interpretação e sozinho
já garante o divertimento. As parições femininas
também dão caldo para o molho: Cameron Diaz (O Casamento
do Meu Melhor Amigo), Ellen Barkin (Vítimas de Uma Paixão)
e Christina Ricci (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) desfilam
na tela em participações fugazes e insinuantes.
Depp, drogas
e rock'n'roll
|