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Cinema -Foco
Minghella
defende a arte da rebeldia
Neusa
Barbosa
A carreira do
diretor inglês Anthony Minghella, de 46 anos, divide-se entre
antes e depois dos nove Oscar que seu terceiro filme, O Paciente
Inglês, arrebatou em 1995. Do dia para a noite, o modesto
dramaturgo e cineasta alternativo tornou-se nome de primeira linha,
capaz de obter orçamentos mais generosos.
Valendo-se do
novo status, ao invés de acomodar-se, Minghella abraçou
uma história polêmica em O Talentoso Ripley. "Arte
e comportamento médio não andam juntos. Arte é
sobre rebeldia, quebra de padrões, até criminalidade",
define o diretor, que radicalizou o final do filme e expôs
mais francamente o homossexualismo do protagonista. Por conta disto,
recebeu e-mails indignados.
De passagem
por São Paulo no final de janeiro, Minghella reagiu às
críticas: "Aí fora há um mundo de preconceito.
Mas não coloquei mais homossexualismo do que já existe
no livro. Está tudo lá". E completa: "Para
mim, um filme é sobre pontos de atrito, conflitos. Não
quero atenuá-los. Quero filmes provocativos, desafiadores,
que façam as pessoas reconsiderarem seus valores".
Casado com Carolyn
Choa, produtora do próximo filme de Walter Salles (Central
do Brasil), Minghella não poupou elogios ao brasileiro: "Vocês
devem orgulhar-se dele, é um cineasta esplêndido".
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