Reportagens  
“A Lelê é um ser humano justo, puro, raro. Nossa relação é
para sempre’’, diz Ângelo
Antônio, ex-marido da atriz
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Uma nova Letícia Sabatella em cena

Separada há dois anos, a atriz conta como superou a dor
pelo fim do casamento, diz que ainda não está preparada
para casar de novo, conta por que não faz mais comerciais
e está dirigindo um documentário sobre os índios Krahô
texto: Clarissa Monteagudo
fotos: leandro pimentel

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“A Letícia é despojada e sem vaidade. Ela tem
intimidade com Deus”, diz o teólogo Leonardo Boff,
amigo da atriz e companheiro de militância
Durante os dez dias que passou entre os índios Krahô, no Tocantins, em abril do ano passado, Letícia Sabatella não hesitou em viver como uma autêntica integrante da tribo. Enquanto dirigia as cenas de um documentário sobre os hotxuás, os palhaços sagrados da aldeia, dor-
mia na rede de uma cabana, vestia apenas uma canga, com as costas e os seios nus cobertos apenas por pinturas, e se alimentava da mes-
ma maneira que os nativos. Tudo mais ou menos parecido com sua primeira passagem pelo lugar, há 10 anos. A diferença é que, dessa vez, Letícia foi ao Tocantins sem o ex-marido Ângelo Antônio, de quem se separou há dois anos. “Minha separação foi uma morte, mas tenho conseguido amadurecer e superar esse lado trágico”, conta ela.

Além do mergulho no trabalho, a atriz que acabou de protagonizar a minissérie Hoje É Dia de Maria viu no fortalecimento do convívio com a filha, Clara, hoje com 12 anos, uma forma de driblar a dor pelo desfecho dos 11 anos de união. “A primeira sensação na família foi de saudade, e a Clara teve um momento difícil”, diz Letícia. Sem saber direito de onde tirou a idéia, decidiu colocar “mais dificuldade” na vida da filha. Matriculou a menina no curso de inglês e trocou saídas de carro por longas caminhadas. Deu certo. “A gente estudava e andava muito junto. A auto-estima da Clara aumentou, e ela percebeu que somos mais fortes que qualquer separação. Toda dor passa”, completa a atriz.

A presença constante dos pais ajudou a superar o momento difícil. Passado o trauma pelo fim do casamento – cujo motivo a atriz não revela – Ângelo e Letícia mantiveram os laços de amizade. Ele freqüenta a casa dela e os dois decidem juntos tudo o que se refere a Clara. “Tenho estado cada vez mais tranqüila, consigo compreender o que aconteceu. Admiro muito o Ângelo”, diz a atriz, que recebe de volta os elogios do ex-marido. “A Lelê é um ser humano justo, puro, raro. Nossa relação é para sempre.” Aos 33 anos, Letícia acha que a fase de solteira perdurará. “Não saio para paquerar, não sinto essa carência.” Sua intuição, ela garante, não lhe diz que outro marido é necessário. “Não estou preparada para casar de novo”, diz a atriz, que está reaprendendo a viver sozinha. Das mudanças na vida, a mais surpreendente foi a decisão de freqüentar uma academia de ginástica. Após a primeira aula, a atriz, fã de mantras e música clássica, ficou um mês sem voltar, incomodada com o som alto do ambiente. Depois, acostumou-se e passou até a gostar. “É bom para me aproximar mais do universo da Clara”, diverte-se.

Outro desafio é aprender a lidar com a administração da casa. Letícia se esforça para manter o padrão de vida sem se permitir grandes luxos. Uma questão de estilo. “Tomo cuidado para não fazer do dinheiro uma prisão. Não tenho mansão ou empregados a ponto de virar uma grande empresa”, diz. Ela é dona de um jipe Suzuki 99, descarta trocar de carro e não tem coragem de comprar roupas caras. Quando tem de se arrumar para uma festa chique, Letícia opta por roupas artesanais, coisas como tecidos de Diamantina, rendas do Nordeste ou peças de algodão cru.

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