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Diana admitiu as dores da traição em entrevista para a tevê em 1995: “Havia três de nós nesse casamento, então estava um pouco lotado”
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Camilla mostra o anel de
noivado: “Estou começando
agora a voltar à Terra”
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Realeza
O casamento plebeu do príncipe

Príncipe Charles anuncia casamento com Camilla Parker-Bowles, seu amor ao longo de 34 anos. Rejeitada por
98% da opinião pública, a ex-amante não usará o título
de rainha e será chamada de duquesa da Cornualha
Leia também: Três décadas de paixão
texto: diógenes campanha

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Quando disser o “sim” em 8 de abril e tornar Camilla Parker-Bowles duquesa da Cornualha, o príncipe Charles vai dar um final feliz a uma história de amor que dura mais de três décadas e sobreviveu ao carisma da princesa Diana e à rejeição da opinião pública. É um casamento plebeu para o futuro rei da Inglaterra, que viveu um falso conto de fadas ao se casar com pompa e circunstância com a virginal Diana em 1981 (no detalhe, à esq.). A união foi minada pela sombra de Camilla, que não tinha a beleza e o glamour de uma princesa, mas era a verdadeira alma gêmea de Charles. Os dois se conheceram em 1970, tiveram um breve romance e se separaram. Camilla se casou com o brigadeiro Andrew Parker-Bowles (detalhe abaixo), mas nunca se distanciou do amante. Na quinta-feira 10, após o anúncio do casamento com Charles, Camilla declarou que o príncipe se ajoelhou para fazer o pedido. “Estou começando agora a voltar à Terra”, disse ela, ao exibir o anel de noivado de R$ 2,4 milhões.

A felicidade completa de Camilla e Charles foi adiada diversas vezes ao longo dos últimos 34 anos. Já casada com Andrew Parker-Bowles, a amante virou conselheira e chegou a testemunhar o pedido de casamento do príncipe a Diana, ocorrido na horta dos Parker-Bowles. Tanta fleuma foi blindando uma relação predestinada. A ligação da família real com a de Camilla começou também com um affair proibido. O rei Edward VII, tataravô do príncipe, havia sido amante da bisavó de Camilla, Alice Keppel. Espirituosa, a bisneta usou o episódio para despertar o interesse de Charles. “Você sabia que seu tataravô foi amante de minha bisavó? Isso não o emociona?”, disse, ao se aproximar do jovem Charles, durante jogo de pólo em 1970.

O casamento com Diana também não impediu que Charles e Camilla continuassem juntos. Em dezembro de 1995, a princesa vestiu o modelito de esposa magoada na tevê: “Havia três de nós nesse casamento, então estava um pouco lotado”. Dois anos antes, a opinião pública já começava a tomar partido em favor da princesa traída, após a divulgação do episódio que ficou conhecido como “Camillagate”. Em janeiro de 1993, um mês depois do anúncio da separação de Charles e Diana, o jornal The Sun publicou a gravação de uma conversa telefônica entre o príncipe e Camilla, na qual o futuro rei da Inglaterra dizia que gostaria de ser o absorvente íntimo da amante. “Eu poderia simplesmente viver dentro das suas calças ou algo assim”, disse Charles. Camilla entrou no jogo: “No que você vai se transformar? Numa calcinha?”, sugere. Ele rebate: “Deus me perdoe, mas num Tampax. Seria minha sorte”.

Um romance regado a grandes doses de cumplicidade e
humor ainda passaria por outro grande teste. A morte de
Lady Di, em um acidente automobilístico em Paris, em agosto de 1997, só aumentou a rejeição dos britânicos a Camilla, que dois anos antes havia se divorciado do marido, com quem teve dois filhos. Enquanto a princesa foi imortalizada como um ícone de beleza e caridade, a namorada de Charles ficou marcada como a “bruxa” que destruiu sua felicidade. Para não desagradar a opinião pública, a família real já tomou as providências para que Camilla não se torne rainha, hipótese rejeitada por 98% dos britânicos, segundo pesquisa do jornal Daily Express. Caso o príncipe herdeiro assuma o trono, Camilla vai ser princesa consorte. Até lá, entrará para a família real como duquesa da Cornualha, uma região situada no sudoeste da Inglaterra e da qual o príncipe Charles ganhou o título de duque – passado sempre ao filho mais velho do soberano britânico – quando sua mãe foi coroada rainha.

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