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Nua só no carnaval
Filha de uma porta-bandeira, Fábia Borges desfila seminua na Sapucaí, mas diz que não
posa para revistas masculinas por causa do ciúme do marido, um empresário espanhol
Luís Edmundo Araújo
foto: Alexandre Sant’Anna

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“Tenho esse corpo desde os 13 anos”, diz Fábia, rainha
de bateria da Unidos da Tijuca, que começou a freqüentar
escolas de samba aos 5 anos
A praia do Arpoador, no Rio, estava lotada na sexta-feira 11. Aproveitando o verão carioca, centenas de banhistas espalhavam-se pelas areias de um dos mais belos cartões postais da cidade. Até que, no fim da tarde, uma aglomeração se formou na pedra que separa o Arpoador da Praia do Diabo. Era Fábia Borges, 26 anos, rainha da bateria da Unidos da Tijuca, vice-campeã do Carnaval do Rio em 2005, que atraía olhares masculinos e flashes de risonhos turistas enquanto posava para Gente. A platéia inesperada não a incomodou. A morena de 1,68m e 48 kg está acostumada a exibir as medidas perfeitas (86 cm de busto e 92 cm de quadril) para públicos bem maiores. No Carnaval deste ano, ela desfilou com minúsculas lâmpadas e tatuagens de hena pelo corpo, além do tapa-sexo quase imperceptível. Tem sido mais ou menos assim há nove anos, desde a estréia de Fábia na Marquês de Sapucaí.

Logo no primeiro desfile, em 1996, a modelo pôs à prova a timidez que garante carregar até hoje. Sua fantasia era um biquíni – comportado para os padrões atuais. Como chegou atrasada na concentração, o jeito foi trocar de roupa na frente de quem quisesse ver. “Fiquei nua e ninguém fez nada. Ali vi como me respeitavam na escola”, conta Fábia. Filha da porta-bandeira Juju Maravilha, a rainha da bateria da Unidos da Tijuca começou a freqüentar o mundo do samba aos 5 anos, como passista mirim da Beija-Flor, primeira escola da mãe. Zelosa, Juju queria a filha por perto nos ensaios, o que obrigava a menina a sambar à frente da bateria. “Minha mãe tinha razão em ficar preocupada. Tenho esse corpo desde os 13 anos”, conta ela, que mantém a forma com uma hora diária de esteira e outra de bicicleta ergométrica. Com a ida de Juju para a Unidos da Tijuca, a coroação da filha foi natural. “A Fábia não é uma rainha de bateria gratuita, é uma componente antiga da escola”, diz o carnavalesco Paulo Barros.

Nessa fase, a vida de Fábia sofreu uma reviravolta. Criada na Baixada Fluminense, trabalhava numa agência de turismo quando conheceu um empresário espanhol do ramo de brinquedos que passava férias no Rio. Ela diz que, em menos de um ano, se casou e foi para Madri, onde trabalhou como promotora de vendas nas firmas dele até 2003. Depois virou dona-de-casa. “Continuo acompanhando-o em viagens de negócios, mas parei de trabalhar porque ele quer filhos”, diz ela, que espera realizar este sonho em dois anos. “Já falei com meu médico que quero gêmeos”, diz. Hoje, Fábia só vem ao Brasil no Carnaval e quase sempre com o marido – cujo nome não informa. É por causa dele que a musa seminua da Sapucaí diz nunca ter aceitado tirar a roupa para revistas masculinas: “O pessoal da Tijuca diz que seria bom para divulgar a escola, mas meu marido não ia gostar”.

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