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‘Quando as coisas não davam certo, se tinha um carro eu vendia, como fiz, vendi aspirador de pó’ Bia Seidl
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Ensaio
Bia transparente

Em cartaz com peça em São Paulo que lhe rendeu um prêmio de melhor atriz de peça infantil, ano passado, Bia Seidl confessa que a arrogância e o atrevimento encurtaram sua passagem na Globo e faz para Gente o primeiro ensaio sensual da sua carreira
• Clique aqui para conferir o ensaio fotográfico com Bia Seidl
texto: Rodrigo Cardoso
fotos edu lopes

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Não é fácil pronunciar o nome desta atriz: Bia Seidl. Não foi fácil para ela, descendente de alemão com italiana, conviver com a instabilidade da carreira – nos anos 90, ela vendeu o que podia para dormir tranqüila. Aos 43 anos, 30 de profissão, 2 filhos e 5 casamentos depois, o que seria difícil para Bia? Ela conta que não consegue se livrar de uma imagem: “Estou numa pasta: pessoa aristocrata, muito rica, distante, blasée, má, fria”.

Bia anda na contramão – talvez explique os altos e baixos da trajetória dela – e viveu, neste ensaio para Gente, a mulher fatal que muitos diretores quiseram – e não conseguiram. Independente e mãe com 17 anos, atriz do primeiro time da Globo, onde fez oito novelas, aos 20, estrela do comercial de sabonete Lux Luxo no auge da fama, Bia, no início de 2004, procurava trabalho.

Bateu na porta de produtoras de comerciais, que lhe deram locuções de publicidade para fazer. “Não tenho pudor de recomeçar, não acredito em glamourização na minha profissão, somos peões”, diz.

Em cartaz com O Mistério do Fantasma Apavorado, em São Paulo, ela foi eleita melhor atriz de teatro infantil, em 2004, pela APCA. Longe das novelas desde 2003, quando fez Jamais te Esquecerei, do SBT, Bia segue como mãe – Daniel, 25 anos, e Miranda, 6 – e esposa fiel. Há três anos, ela vive com o produtor de eventos Daniel di Romagnano, 25.

“Namorei mulheres bonitas, inteligentes, divertidas. Não havia achado tudo numa mulher”, diz Daniel. Uma mulher que, aos 12, deu os primeiros passos no teatro infantil e, 30 anos depois, volta ao ponto de partida. Pode ser o fecho de um ciclo ou um recomeço.

Por que não teve uma carreira de protagonista na Globo?
Talvez eu não tenha seguido todas as regras. Por causa da minha autenticidade, por eu ser atrevida, confiar muito no taco e depois ver que não é bem assim. Aí, você pensa: “Deveria ter engolido um sapo, ter sido mais simpatiquinha”. Meu caminho foi na contramão.

Mas por que seu tempo foi curto?
A Sharon Stone, quando em baixa, fez uma Playboy e abriu as pernas no filme. É um caminho da obviedade. Me convidaram para posar e eu não quis, tinha um filho pequeno. Se estou na moda, faço o comercial de sabonete (Lux Luxo) que faz todo mundo aprender a falar meu nome, estou bombando na novela, não é momento de trocar de emissora. Mas troco, porque queria fazer Dona Beija (tevê Manchete). Todo mundo passa por problemas financeiros, mas a vida pessoal não interessa, sou discreta.

Planejou-se para realizar sonhos de consumo?
Sobrevivo com meu trabalho. Não tive marido, amante, pai que me sustentou e nem trocou cheque. Podia comprar um apartamento para mim, mas comprei um para a minha mãe. Moro de aluguel.

Financeiramente, qual foi o período mais crítico?
Nos anos 90, morava no Rio e fiz uma limpa em casa, vendi tudo. Quando saí de casa cedo, resolvi bancar minha vida no bom e no ruim. Quando as coisas não davam certo, se tinha um carro eu vendia, como fiz, vendi aspirador de pó. Foi complicado ver isso (desfazer-se de objetos). Mas é o preço de ser livre, independente. Eu era muito metida, atrevida, devia ser arrogante também.

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