Seus olhos azuis
muitas vezes se fixam numa mulher bonita. A situação
corriqueira para Katie Ford, presidente da Ford Models,
costuma intimidar o alvo. “É quase impossível
ver uma pessoa atraente e não olhar para ela.
Eu olho para o corpo e isso constrange. Então,
trato logo de me apresentar”, conta a herdeira
de uma das maiores agências de modelos do mundo.
Numa festa do estilista brasileiro Carlos Miele, em
Nova York, uma convidada foi detectada por Katie e
dois dias depois já estava fazendo testes para
entrar na agência que lançou estrelas
como Sharon Stone e Brooke Shields.
Katie esteve recentemente no Brasil para compor
o júri da 12ª edição do
Supermodel Brasil, etapa nacional do concurso promovido
em 54 países. Mais uma vez ela provou que seu
faro é afiado. Votou na vencedora Camila Finn,
que disputou com 500 mil concorrentes. Há duas
semanas, Camila derrotou 44 finalistas do mundo todo
e se tornou a primeira brasileira a vencer o Supermodel
of the World. “Meninos e meninas querem
ser modelos porque é divertido. É
uma profissão com a qual se viaja, se veste
roupas lindas, se en-
contra pessoas de diferentes culturas e se ganha bastante
di-
nheiro se for bem-sucedido.”
Katie revela que as modelos no Brasil são
as mais jovens do mundo. “Uma garota de 13 anos
é muito nova para levar uma vida de adulto.
Nos outros países a média é de
16 anos. Geralmente eles ainda estão na escola,
mas só trabalham nos finais de semana e nas
férias”, conta ela, que permite que sua
filha mais velha Alessandra, de 15 anos, só
modele nessas condições. “Mas
ela quer mesmo ser atriz”, diz.
O universo de beldades sempre esteve presente na
vida da nova-iorquina de 49 anos. Seus pais Eileen
e Jerry Ford fundaram a Ford Models em 1946 em sua
casa quando sua mãe resolveu agenciar duas
amigas. Formada em Administração de
Empresas, Katie ingressou na agência há
22 anos. Em 1995, assumiu a presidência, abriu
escritórios em vários países,
entre eles o Brasil, e criou diferentes divisões,
como um setor de modelos gordinhas e também
um núcleo para administrar contratos milionários
de celebridades como Jerry Hall e Paris Hilton.
A fundadora Eileen sempre teve uma preocupação
maternal com as meninas e era comum levar algumas
delas para morar em sua casa. Katie também
adota esse comportamento. “No atentado de 11
de Setembro, três modelos estavam num apartamento
da Ford a três quadras das torres gêmeas.
Katie tratou de tirá-las de lá e as
hospe-
dou uma semana em sua casa de praia nos Hamptons.
Ela queria as meninas longe daquilo”, conta
Décio Ribeiro, que comanda ao lado da mulher
Denise Céspedes a Ford do Brasil. “Tenho
uma relação de amizade com ela. Temos
muitas modelos brasileiras lá”, diz ele.
Entre suas pupilas brasileiras, Katie destaca Liliane
Ferrarezi. “Ela está estourando porque
o mercado está resgatando a doçura e
a feminilidade. Ela é muito ambiciosa e aprende
muito rapidamente sobre moda”, enumera. A poderosa
da Ford Models diz que as modelos brasileiras são
bem-sucedidas por causa da personalidade. “Elas
são flexíveis e calorosas. Isso funciona
muito bem na indústria da moda.” Quanto
a Gisele Bündchen, Katie discorda da primeira
posição atribuída a ela. “Gisele
é maravilhosa, mas não acho que existe
a número um do mundo, existem várias
top models.”
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