Reportagens  
“As brasileiras são flexíveis e calorosas. Isso funciona muito bem na indústria da moda’’
Katie Ford
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Passarelas
Caçadora de modelos

A americana Katie Ford, herdeira de uma das maiores
agências de modelos do mundo, constrange com a
mania de analisar pessoas bonitas e acha que Gisele
Bündchen não é a número um do mundo
texto: Luciana Franca
foto: Claudio Gatti

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Seus olhos azuis muitas vezes se fixam numa mulher bonita. A situação corriqueira para Katie Ford, presidente da Ford Models, costuma intimidar o alvo. “É quase impossível ver uma pessoa atraente e não olhar para ela. Eu olho para o corpo e isso constrange. Então, trato logo de me apresentar”, conta a herdeira de uma das maiores agências de modelos do mundo. Numa festa do estilista brasileiro Carlos Miele, em Nova York, uma convidada foi detectada por Katie e dois dias depois já estava fazendo testes para entrar na agência que lançou estrelas como Sharon Stone e Brooke Shields.

Katie esteve recentemente no Brasil para compor o júri da 12ª edição do Supermodel Brasil, etapa nacional do concurso promovido em 54 países. Mais uma vez ela provou que seu faro é afiado. Votou na vencedora Camila Finn, que disputou com 500 mil concorrentes. Há duas semanas, Camila derrotou 44 finalistas do mundo todo e se tornou a primeira brasileira a vencer o Supermodel of the World. “Meninos e meninas querem ser modelos porque é divertido. É
uma profissão com a qual se viaja, se veste roupas lindas, se en-
contra pessoas de diferentes culturas e se ganha bastante di-
nheiro se for bem-sucedido.”

Katie revela que as modelos no Brasil são as mais jovens do mundo. “Uma garota de 13 anos é muito nova para levar uma vida de adulto. Nos outros países a média é de 16 anos. Geralmente eles ainda estão na escola, mas só trabalham nos finais de semana e nas férias”, conta ela, que permite que sua filha mais velha Alessandra, de 15 anos, só modele nessas condições. “Mas ela quer mesmo ser atriz”, diz.

O universo de beldades sempre esteve presente na vida da nova-iorquina de 49 anos. Seus pais Eileen e Jerry Ford fundaram a Ford Models em 1946 em sua casa quando sua mãe resolveu agenciar duas amigas. Formada em Administração de Empresas, Katie ingressou na agência há 22 anos. Em 1995, assumiu a presidência, abriu escritórios em vários países, entre eles o Brasil, e criou diferentes divisões, como um setor de modelos gordinhas e também um núcleo para administrar contratos milionários de celebridades como Jerry Hall e Paris Hilton.

A fundadora Eileen sempre teve uma preocupação maternal com as meninas e era comum levar algumas delas para morar em sua casa. Katie também adota esse comportamento. “No atentado de 11 de Setembro, três modelos estavam num apartamento da Ford a três quadras das torres gêmeas. Katie tratou de tirá-las de lá e as hospe-
dou uma semana em sua casa de praia nos Hamptons. Ela queria as meninas longe daquilo”, conta Décio Ribeiro, que comanda ao lado da mulher Denise Céspedes a Ford do Brasil. “Tenho uma relação de amizade com ela. Temos muitas modelos brasileiras lá”, diz ele.

Entre suas pupilas brasileiras, Katie destaca Liliane Ferrarezi. “Ela está estourando porque o mercado está resgatando a doçura e a feminilidade. Ela é muito ambiciosa e aprende muito rapidamente sobre moda”, enumera. A poderosa da Ford Models diz que as modelos brasileiras são bem-sucedidas por causa da personalidade. “Elas são flexíveis e calorosas. Isso funciona muito bem na indústria da moda.” Quanto a Gisele Bündchen, Katie discorda da primeira posição atribuída a ela. “Gisele é maravilhosa, mas não acho que existe a número um do mundo, existem várias top models.”

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