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Monólogo
Regurgitofagia
Michel Melamed faz de bem
costurado jogo de
palavras um espetáculo que sacode a mesmice
Dirceu Alves Jr.
Quem é mesmo esse Michel Melamed? Você bem
que já deve ter
ouvido falar desse cara por aí. Mas você só
será apresentado definitivamente ao tal Melamed depois
de assistir a Regurgitofagia. O espetáculo
dirigido pelo próprio, mais Alessandra Colasanti
e Marco Abujamra, estreou sem pretensão no Rio, em
abril de 2004, e virou
cult. Espertos, esses cariocas.
Regurgitofagia é bem simples, quase um esquete
para ser apresentado em palquinho de bar, mas dá
uma bela sacudida na mesmice teatral. Poeta e ator, Michel
Melamed promove um bem costurado jogo de palavras, como
pode ser conferido também no livro homônimo
(Objetiva, 132 págs., R$ 23,90) que está nas
lojas, e surpreende com seu poder de improviso. No palco,
está um homem enrolado a fios que sofre a reação
da platéia (aplausos, risadas, espirros) através
de descargas elétricas de 25 volts a 45 volts. E
o choque é real! Os choques entusiasmam os espectadores,
mas, na verdade, eles são mero recurso cênico.
O maior impacto do espetáculo vem da poesia e da
presença cênica de Melamed.
Regurgitofagia é tropicalista. Joga no mesmo
balaio o lixo cultural, referências de gente cabeça
e escatologia das brabas. Provoca gargalhadas e surpreende
com o ininterrupto falatório que faz o espectador
exercitar os neurônios durante 50 minutos. Alta
voltagem
Sesc Belenzinho – av. Álvaro
Ramos, 915, São Paulo,
tel. (11) 6602-3700. Até 6/3.
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