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Guia da música independente
José Flávio Júnior

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As gravadoras estão em crise, mas a música brasileira continua criativa. A cena independente nacional não pára de revelar novos artistas das mais variadas vertentes, seja em São Paulo, no Rio, em Pernambuco ou no Rio Grande do Sul. Não dá para reclamar, mas dá para se perder. Por isso, aqui vai um guia para começar o ano por dentro dos principais lançamentos do mundo alternativo. Do besteirol do Jumbo Elektro à esquisitice de Skylab, indo ao ecletismo de Wado, ao charme retrô da banda Cachorro Grande e à mistureba classuda do Mombojó, tem para todo mundo que gosta de música boa.

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Rogério Skylab Skylab V é o sexto álbum desse cantor e compositor esquizóide. Depois de estrear em vinil com o seminal Fora da Grei, Rogério Skylab iniciou uma série de trabalhos numerados que cada vez mais ocupa espaço na mídia (Jô Soares o convida regularmente para seu talk show) e nas discotecas de quem procura algo de inusitado na música contemporânea. Sua banda de apoio centra fogo num hard rock anacrônico, capaz de afugentar possíveis fãs. Mas a verdade é que o som pesado só ajuda a destacar a poesia absurda de Skylab. Entre incursões escatológicas e provocações gratuitas, ele crava pérolas como “Você Vai Continuar Fazendo Música?”, em que questiona o ofício do artista underground. A se lamentar apenas a não inclusão de “Fátima Bernardes Experiência” na tiragem principal do disco. Com medo de graves represálias, Skylab reservou esse clássico de seu repertório (que associa o nome da jornalista da Rede Globo com “corrimento” e outras coisas estranhas) a apenas a um número pequeno de cópias.
Poeta do absurdo

 

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Wado e Realismo Fantástico: assobiável

Wado e Realismo Fantástico Wado não é de lugar nenhum. Nascido em Santa Catarina, criado nas Alagoas e radicado em São Paulo, esse jornalista-compositor-cantor (nessa ordem) não respeita fronteiras com sua música. Trabalha usando a MPB moderna como ponto de partida, sem qualquer pudor de embaralhar samba com reggae ou indie rock – ou até mesmo de abordar cada um desses gêneros isoladamente. Após dois discos assinando como artista solo, Wado credita a banda Realismo Fantástico em A Farsa do Samba Nublado. Isso ajuda a explicar a excelência musical desse álbum, feito de faixas curtas, acessíveis e assobiáveis. “Se Vacilar o Jacaré Abraça”, “Grande Poder”, “Vai Querer?”, “Carteiro de Favela” e “Amor e Restos Humanos” são os destaques mais óbvios. Mas também merece atenção a marota “Alguma Coisa Mais pra Frente”. O rock lisérgico da finada banda paulistana Oito virou um samba despretensioso, que nem parece receitar o uso de substâncias químicas ilegais. Wado definitivamente superou-se nessa terceira investida. Maduro para o pop

 

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Jumbo Elektro, de São Paulo: rocks
bem tocados e letras em “embromation”

Jumbo Elektro Este septeto de São Paulo já conseguiu até matéria no Fantástico e tem carregado um considerável número de curiosos para seus shows. No palco, o impacto é grande, uma vez que os integrantes encarnam personagens sem que isso prejudique a execução das músicas. E os rocks dançantes do Jumbo Elektro só convencem porque são bem tocados. Já o humor das letras em “embromation” cansa após algumas audições do disco Freak To Meet You – The Very Best of Jumbo Elektro (The Ultimate Compilation). O encarte e a faixa interativa são importantes para caracterizar o projeto – e podem até servir para aliciar o público infantil, pois, na real, o Jumbo Elektro não passa de uma versão alternativa do Mamonas Assassinas. Há potencial comercial nas faixas “Soy Motoboy” e “Bossa Japa Nova” e já tem DJ esperto recheando set com as eletrônicas “She Has a Penis” e “Happy Mondays”.Talvez falte apenas um Dinho para deixar o troço realmente engraçado. Piadas promissoras

 

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Cachorro Grande O ótimo As Próximas Horas Serão Muito Boas foi lançado em 2004 por essa banda gaúcha de ar deliciosamente retrô. Seu charme não está nos terninhos vintage ou nas confusões dos integrantes. Está nas composições. Inspirado pelos maiores expoentes do rock sessentista, e com uma quedinha pelo Supergrass, o grupo desfila sua categoria em músicas perfeitas, como “Me Perdi”. O CD é mais revigorante que uma superdose de Viagra.
Gaúchos endiabrados

 

 

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Mombojó Os jovens do grupo do Recife absorveram influências diversas: de Mundo Livre S/A a Ronnie Von, de Noel Rosa a drum and bass. Dá para ouvir tudo isso e mais no disco de estréia Nadadenovo. Premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte, a banda exibe todo seu poder na brevíssima “Nem Parece”. É um bom começo. O novo mangue se revela