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As gravadoras estão em crise, mas a música
brasileira continua criativa. A cena independente nacional
não pára de revelar novos artistas das mais
variadas vertentes, seja em São Paulo, no Rio, em Pernambuco
ou no Rio Grande do Sul. Não dá para reclamar,
mas dá para se perder. Por isso, aqui vai um guia para
começar o ano por dentro dos principais lançamentos
do mundo alternativo. Do besteirol do Jumbo Elektro à
esquisitice de Skylab, indo ao ecletismo de Wado, ao charme
retrô da banda Cachorro Grande e à mistureba
classuda do Mombojó, tem para todo mundo que gosta
de música boa.
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Rogério Skylab Skylab V
é o sexto álbum desse cantor e compositor esquizóide.
Depois de estrear em vinil com o seminal Fora da Grei,
Rogério Skylab iniciou uma série de trabalhos
numerados que cada vez mais ocupa espaço na mídia
(Jô Soares o convida regularmente para seu talk show)
e nas discotecas de quem procura algo de inusitado na música
contemporânea. Sua banda de apoio centra fogo num hard
rock anacrônico, capaz de afugentar possíveis
fãs. Mas a verdade é que o som pesado só
ajuda a destacar a poesia absurda de Skylab. Entre incursões
escatológicas e provocações gratuitas,
ele crava pérolas como “Você Vai Continuar
Fazendo Música?”, em que questiona o ofício
do artista underground. A se lamentar apenas a não
inclusão de “Fátima Bernardes Experiência”
na tiragem principal do disco. Com medo de graves represálias,
Skylab reservou esse clássico de seu repertório
(que associa o nome da jornalista da Rede Globo com “corrimento”
e outras coisas estranhas) a apenas a um número pequeno
de cópias.
Poeta do absurdo
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| Wado
e Realismo Fantástico: assobiável |
Wado e Realismo Fantástico Wado não
é de lugar nenhum. Nascido em Santa Catarina, criado
nas Alagoas e radicado em São Paulo, esse jornalista-compositor-cantor
(nessa ordem) não respeita fronteiras com sua música.
Trabalha usando a MPB moderna como ponto de partida, sem qualquer
pudor de embaralhar samba com reggae ou indie rock –
ou até mesmo de abordar cada um desses gêneros
isoladamente. Após dois discos assinando como artista
solo, Wado credita a banda Realismo Fantástico em A
Farsa do Samba Nublado. Isso ajuda a explicar a excelência
musical desse álbum, feito de faixas curtas, acessíveis
e assobiáveis. “Se Vacilar o Jacaré Abraça”,
“Grande Poder”, “Vai Querer?”, “Carteiro
de Favela” e “Amor e Restos Humanos” são
os destaques mais óbvios. Mas também merece
atenção a marota “Alguma Coisa Mais pra
Frente”. O rock lisérgico da finada banda paulistana
Oito virou um samba despretensioso, que nem parece receitar
o uso de substâncias químicas ilegais. Wado definitivamente
superou-se nessa terceira investida. Maduro para o
pop
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Jumbo Elektro, de São
Paulo: rocks
bem tocados e letras em “embromation”
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Jumbo Elektro Este septeto de São
Paulo já conseguiu até matéria no Fantástico
e tem carregado um considerável número de curiosos
para seus shows. No palco, o impacto é grande, uma
vez que os integrantes encarnam personagens sem que isso prejudique
a execução das músicas. E os rocks dançantes
do Jumbo Elektro só convencem porque são bem
tocados. Já o humor das letras em “embromation”
cansa após algumas audições do disco
Freak To Meet You – The Very Best of Jumbo Elektro
(The Ultimate Compilation). O encarte e a faixa interativa
são importantes para caracterizar o projeto –
e podem até servir para aliciar o público infantil,
pois, na real, o Jumbo Elektro não passa de uma versão
alternativa do Mamonas Assassinas. Há potencial comercial
nas faixas “Soy Motoboy” e “Bossa Japa Nova”
e já tem DJ esperto recheando set com as eletrônicas
“She Has a Penis” e “Happy Mondays”.Talvez
falte apenas um Dinho para deixar o troço realmente
engraçado. Piadas promissoras
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Cachorro Grande O ótimo As Próximas
Horas Serão Muito Boas foi lançado em 2004
por essa banda gaúcha de ar deliciosamente retrô.
Seu charme não está nos terninhos vintage ou
nas confusões dos integrantes. Está nas composições.
Inspirado pelos maiores expoentes do rock sessentista, e com
uma quedinha pelo Supergrass, o grupo desfila sua categoria
em músicas perfeitas, como “Me Perdi”.
O CD é mais revigorante que uma superdose de Viagra.
Gaúchos endiabrados
Mombojó Os jovens do grupo do Recife
absorveram influências diversas: de Mundo Livre S/A
a Ronnie Von, de Noel Rosa a drum and bass. Dá para
ouvir tudo isso e mais no disco de estréia Nadadenovo.
Premiada pela Associação Paulista de Críticos
de Arte, a banda exibe todo seu poder na brevíssima
“Nem Parece”. É um bom começo. O
novo mangue se revela
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