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KATHARINE HEPBURN
“Brilhante, descarada, escandalosamente atrevida,
ela provoca excitação por onde passa.
Seus próprios terminais nervosos tinem de júbilo:
ela é
uma afirmação da vida, em especial da
parte que se chama diversão. Katharine Hepburn
é
o subproduto jovial da emancipação feminina,
que usa calças e vota, e sua agressi-
vidade é a do sol ao meio-dia”
(Everybody’s, 28
de junho de 1952)
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Traçar o perfil de um entrevistado não é
tarefa fácil. Não basta o jornalista contar
onde e como ele nasceu, por que faz o que faz e revelar detalhes
íntimos. Funda- mental é descortinar quem realmente
está por trás do personagem já conhecido.
O inglês Kenneth Tynan (1927-1980), considerado o melhor
crítico teatral de sua geração, sabia
fazer isso muito bem e revelou minúcias de personalidades
num tempo em que o mais interessante era o que elas eram e
não o que pareciam ser.
Essa habilidade de Tynan fica evidente nos 25 perfis de A Vida como Performance
(Companhia das Letras, 364 págs., R$ 48), compilação
em que a linha separadora do jornalismo e da literatura
se faz muito tênue. Mestre na criação
de frases e na observação do interlocutor,
Tynan joga aos olhos do leitor radiografias de Katharine
Hepburn, Peter Brook, Tennessee Williams, Bernard Shaw,
Arthur Miller e Humphrey Bogart. Para ele, Laurence Olivier
no palco é tão forte quanto um leão
na arena. Na frente de Tynan, Marlene Dietrich é
tudo, menos a mulher fria, calculista e distante pintada
por muitos, assim como o mestre do jazz Duke Ellington não
tem nada de pernóstico. Tanto que recebeu o repórter
de suéter, calça de abrigo e meias.
Para descrever os perfilados, Tynan se distancia da imparcialidade,
regra tão perseguida pelo jornalismo. Declara-se
loucamente apaixonado por alguns deles, não poupando
elogios a seus entrevistados, e chega a se incluir na reportagem,
como se vê nos trechos selecionados. Profundo conhecedor
da cena teatral, Tynan também incorporava um personagem
e, desse jeito, descor-
tinava a vida das personalidades. Cai o pano
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