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Fotos: Prensa Três

HUMPHREY BOGART

“Primeiro, a confissão: ao contrário da maioria dos jornalistas, jamais tomei um porre com Humphrey Bogart. Encontrei-o apenas uma vez, em 1952, quando eu acabara de descrever com letras impressas seu rosto como ‘um triunfo da cirurgia plástica’. Não nos amamos à primeira vista. Bogart me impressionou porque era rico e rouco e porque não comia nada. Parecia um grande lobo esfaimado”
(Playboy, junho de 1966)

Fotos: Prensa Três

GRETA GARBO

“O que um homem vê bêbado nas outras mulheres, vê sóbrio em Greta Garbo. Ela é uma mulher apreendida com toda a claridade pulsante de quem tomou mescalina. (...) A maioria das atrizes em atividade vive apenas para olhar os homens, mas Garbo olha para flores, nuvens e móveis com a mesma compaixão admirada, como Eva na manhã da criação, e mais bem escalada do que o sr. Huxley no papel de Adão”
(Sight and Sound, abril de 1954)

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Jornalismo
A Vida como Performance
O inglês Kenneth Tynan radiografa 25 personalidades
do mundo artístico em fantásticos perfis
Dirceu Alves Jr.

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Fotos: Prensa Três
Fotos: Prensa Três

KATHARINE HEPBURN

“Brilhante, descarada, escandalosamente atrevida, ela provoca excitação por onde passa. Seus próprios terminais nervosos tinem de júbilo: ela é
uma afirmação da vida, em especial da parte que se chama diversão. Katharine Hepburn é
o subproduto jovial da emancipação feminina, que usa calças e vota, e sua agressi-
vidade é a do sol ao meio-dia”
(Everybody’s, 28
de junho de 1952)

Traçar o perfil de um entrevistado não é tarefa fácil. Não basta o jornalista contar onde e como ele nasceu, por que faz o que faz e revelar detalhes íntimos. Funda-
mental é descortinar quem realmente está por trás do personagem já conhecido. O inglês Kenneth Tynan (1927-1980), considerado o melhor crítico teatral de sua geração, sabia fazer isso muito bem e revelou minúcias de personalidades num tempo em que o mais interessante era o que elas eram e não o que pareciam ser.

Essa habilidade de Tynan fica evidente nos 25 perfis de A Vida como Performance (Companhia das Letras, 364 págs., R$ 48), compilação em que a linha separadora do jornalismo e da literatura se faz muito tênue. Mestre na criação de frases e na observação do interlocutor, Tynan joga aos olhos do leitor radiografias de Katharine Hepburn, Peter Brook, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Arthur Miller e Humphrey Bogart. Para ele, Laurence Olivier no palco é tão forte quanto um leão na arena. Na frente de Tynan, Marlene Dietrich é tudo, menos a mulher fria, calculista e distante pintada por muitos, assim como o mestre do jazz Duke Ellington não tem nada de pernóstico. Tanto que recebeu o repórter de suéter, calça de abrigo e meias.

Para descrever os perfilados, Tynan se distancia da imparcialidade, regra tão perseguida pelo jornalismo. Declara-se loucamente apaixonado por alguns deles, não poupando elogios a seus entrevistados, e chega a se incluir na reportagem, como se vê nos trechos selecionados. Profundo conhecedor da cena teatral, Tynan também incorporava um personagem e, desse jeito, descor-
tinava a vida das personalidades. Cai o pano