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A leveza da cena de abertura (uma aula de dança) indica
que Ágata e a Tempestade, do italiano Silvio
Soldini, aproxima-se muito de seu Pão e Tulipas,
bem-sucedido no circuito mais alternativo. E a cena seguinte,
uma amante dizendo que quer ser aeromoça no momento
pós-sexo, é uma boa síntese de que o
filme trilha por sonhos, ambições e descobertas.
Ágata é dona de uma livraria em Gênova.
Um de seus clientes, Nico, bem mais jovem, apaixona-se por
ela, que costuma conversar ao telefone com seu irmão,
Gustavo, à noite. Certo dia, ele descobre que foi adotado
na infância. Esse tom folhetinesco é acentuado
pelo clima etéreo e pela presença floreada da
dança e da música, um pano de fundo que indica
que nada é mais emocionante do que as reviravoltas
do dia-a-dia. O realismo fantástico sutil inibe a reflexão
em torno dos conflitos pessoais.
Apesar da embalagem exótica, o filme assume que não
é ousado e que procura o público. Tudo já
foi dito, e a repetição é uma forma de
dar segunda chance à vida. Não faltam referências
a filmes, livros e provérbios. Os personagens estão
sempre em trânsito, porque somente pelo deslocamento
podem mudar o rumo de seus destinos. Isso é claramente
dito ao se ler, em voz alta, Ivanhoé: “Navegamos
como barcos contra a correnteza”. Pouco pão
e muita tulipa
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