Diversão & arte - Livros  
Reprodução
Torquato Neto (1944-1972), expoente tropicalista,
tem obra recuperada

Na MPB

Versos de Torquato Neto musicados por Gilberto Gil,
Edu Lobo, Caetano Veloso e Sérgio Brito, entre outros

“Só quero saber
Do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder”
(“Go Back”, 1971)

“Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão”
(“Marginália II”, 1967)

“Adeus
Vou pra não voltar
E aonde quer que eu vá
Sei que vou sozinho”
(“Pra Dizer Adeus”, 1966)

“Mamãe mamãe não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí”
(“Mamãe Coragem”, 1968)

• • •

Leia também

Cinema
Exposição
Internet
Música
Teatro
Televisão
• • •
Foco - Torquatália
Torquato multiplicado por dois
Dirceu Alves Jr.

Enviar para um amigo

Divulgação
Divulgação
Tropicalismo é Caetano, Gil, Gal, Rogério Duprat. Tropicalismo é também Torquato Neto, talvez o menos lembrado dos expoentes do movimento cultural do final da década de 60. Torquato, que abreviou a própria vida ao ligar o gás de seu apartamento na madrugada seguinte aos seus 28 anos, manteve-se vivo no mercado editorial nos anos seguintes muito pelo esforço de sua viúva, Ana Maria Duarte, e do poeta Waly Salomão. Passadas mais de três décadas, Torquatália, uma edição em dois volumes organizada pelo jornalista Paulo Roberto Pires, não apenas ressuscita a obra de Torquato, mas apresenta jóias inéditas e documenta um momento definitivo da cultura e da política do País.

O primeiro volume, Do Lado de Dentro (Rocco, 368 págs., R$ 44), reúne desde os escritos do adolescente Torquato, entre 1961 e 1962, até a precoce maturidade dos 20 e poucos anos, quando criou versos musicados por Gil, Caetano e Edu Lobo. Pela primeira vez podem ser conferidos o roteiro de um programa que lançaria o tropicalismo na tevê e cartas trocadas com o artista plástico Hélio Oiticica.

Retrato menos pessoal é Geléia Geral (Rocco, 408 págs., R$ 49), o segundo tomo, que reproduz trechos da notável coluna diária que Torquato manteve no jornal Última Hora e narra os primeiros passos das carreiras de futuros astros da MPB e de uma geração que penou com o período mais cruel da repressão militar.