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Herval Rossano ficou, em 2001, oito meses sem poder andar,
em casa, onde um mini-hospital foi montado por causa de um
enfarto que quase o matou. Dois anos depois, terminou o casamento
de 27 anos com a atriz Nívea Maria, com quem teve Vanessa,
de 24. Em 2003, foi dispensado da Rede Globo após 30
anos de casa. Nascido em Campos, norte fluminense, filho de
um advogado e uma dona de casa, galã dos anos 50 e
60 e diretor de tevê nacional que mais novelas vendeu
para o Exterior, Herval desiludiu-se da vida. Há um
ano, porém, sob a insistência de sua atual companheira,
a atriz Mayara Magri, 42, aceitou o convite da Record e, hoje,
figura em segundo no Ibope com a nova versão de A
Escrava Isaura, novela que ele também havia dirigido
na Globo em 1976. Prestes a fazer 70 anos, pai quatro vezes,
dois casamentos, Herval fuma cigarro sem nicotina –
US$ 7,50 o maço – numa velocidade de fazer inveja
a qualquer enfartado, refresca a alma cuidando de plantas
e tem como hobby criar pássaros exóticos –
são mais de 200. “Regar plantas é quando
me sinto melhor, não penso em nada”, diz ele.
O que aprendeu na Record?
Não tinha nada aqui. Tô com a mesma sensação
quando criei o núcleo das 18h (na Globo), abrindo
mercado de trabalho. Conquistamos audiência, mas ela
é muito maior do que o Ibope acusa. (A Escrava Isaura)
Dá 13 pontos de média. Tomamos o lugar do Silvio
Santos (segundo no horário). Eu queria incomodar
mais a Globo, mas com a outra novela vou incomodar. Vou fazer
a história Três Damas (da obra de José
de Alencar), em maio, com um elenco feminino maior, homens
bonitos. A história é mais cativante, as roupas
serão mais bonitas, valorizarão mais a mulher.
O fato de ser exigente o torna
incompreendido?
Sou rígido e exigente por uma questão profissional.
Não misturo as coisas. Vivo com a Mayara (Magri,
atriz) e houve uma mudança de texto na Escrava
porque um dos atores sofreu um acidente (em dezembro, Lugui
Palhares caiu do cavalo). Aí, ela me disse: “Tenha
um pouquinho de paciência com a gente, hoje, que o texto
está todo mudado”. Paciência eu tenho,
mas só de saber que terei problemas já fico...
Eu não grito, faço cara feia, de reprovação.
A Yara Cortes, que fez Dona Xepa, não me entendia,
achava que eu protegia a minha ex-mulher (Nívea
Maria) pelo tamanho do close que dava nela.
Como se sente perto dos 70?
Intelectualmente, não me sinto com 70. Fisicamente
não sou o mesmo. Não agüento mais correr,
canso logo. Agora melhorei porque troquei o marcapasso. Coloquei
um desfibrilador, há dois meses, que é genial.
O Lugui se acidentou e fiquei muito nervoso. Tive dois enfartes
dormindo, o aparelho deu os choques e segurou. Quando acordei,
a Mayara estava em cima de mim, gritando: “Herval, Herval”.
Troquei o marcapasso grande por essa coisinha de desfibrilador
graças a Mayara. A Mayara salvou a minha vida. Ela
é uma companheirona, me incentiva, diz: “Vai
lá, briga, você vai ganhar mesmo”.
Como é viver maritalmente
de novo aos 70?
Há muitos anos, tive uma queda pela Mayara e ela por
mim. Mas eu tinha uma filha de 4 anos (Vanessa, hoje com
24). Não tinha como me separar. Respeitei a regra
do jogo e vivi mais um tempo com uma pessoa (Nívea)
com quem não me dava bem. Em dezembro (de 2003),
procurei a Mayara, fomos nos conquistando. Eu ficava em hotel
e ela, na casa dela. Chegou um dia, na casa dela, que falei:
“Não vou mais para hotel. Vou ficar aqui”.
Me emprestei na casa dela! Ela foi deixando e estou aí.
Se tudo der certo... eu tenho muito medo da palavra casamento.
Quando é oficializado no papel, as coisas são
ruins. Tive uma separação muito ruim.
Está separado ou divorciado
da Nívea Maria?
Para fazer o divórcio consensual, paguei caríssimo.
Fiquei com uma casa. Me separei em 2002 e levei o ano seguinte
todo pagando e sem trabalhar. No total, paguei R$ 80 mil para
a advogada, R$ 450 mil em dinheiro, US$ 16 mil dólares
e cinco apartamentos para a Nívea. No total, foi US$
1,5 milhão para me ver livre de uma história
de 27 anos. Quando acabou, foi um alívio.
Nívea disse que saiu
de casa com data determinada por você.
Um dia a encontrei num supermercado e disse: “Toma cuidado
com o que diz. Não está me agradando o papel
de vítima que está fazendo. Se fizer muito esse
papel, vou soltar merda no ventilador”. Ela foi muito
legal comigo, quando tive o enfarto. Quando me levantei, ela
não era a mesma. Não consigo me lembrar das
coisas boas. A princípio, tive muita mágoa e,
de repente, perdi esse sentimento. Não tenho nenhuma
ligação com a Nívea, não saberia
o que conversar com ela.
Por que acabou?
Ela deixou de gostar de mim. No dia 3 de março (de
2002) – ela faz aniversário em 7 de março
–, eu disse: “Faz um ano que você não
me dá um beijo”. Ela me disse: “E não
vou dar nunca mais, porque não quero”. Levei-a
para Aruba, para ver se melhorava, mas foi pior. Ela me fez
dormir no chão. Um dia, eu esbarrei nela de noite,
sem querer. Ela me deu um pontapé, me machucou. Dei
tanta sorte porque o dinheiro que investi na viagem, cerca
de US$ 8 mil, recuperei no cassino. Demorou dias para terminarmos.
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