Entrevista  
Herval foi galã disputado nos anos 50 e 60: “Tinha mulher de todo tipo, vedete, cantora, mas eu não as cantava. Elas me cantavam, era mais cômodo e eu sempre fui um péssimo conquistador”, diz
‘‘Nívea deixou de gostar de mim. No dia 3 de março (de 2002) eu disse: ‘Faz um ano que você não me dá um beijo’. Ela disse: ‘E não vou dar nunca mais, porque não quero’’
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CONTINUAÇÃO

Como se sente perto dos 70?
• Por que parou de atuar?
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Herval Rossano
‘‘Vou incomodar mais a Globo’’
Diretor de A Escrava Isaura, novela que pôs a Record
em segundo no Ibope, diz que gastou US$ 1,5 milhão
para se divorciar da atriz Nívea Maria e fala da decepção
de ser dispensado da Globo após 30 anos

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Texto: Rodrigo Cardoso
fotos: piti reali

Herval Rossano ficou, em 2001, oito meses sem poder andar, em casa, onde um mini-hospital foi montado por causa de um enfarto que quase o matou. Dois anos depois, terminou o casamento de 27 anos com a atriz Nívea Maria, com quem teve Vanessa, de 24. Em 2003, foi dispensado da Rede Globo após 30 anos de casa. Nascido em Campos, norte fluminense, filho de um advogado e uma dona de casa, galã dos anos 50 e 60 e diretor de tevê nacional que mais novelas vendeu para o Exterior, Herval desiludiu-se da vida. Há um ano, porém, sob a insistência de sua atual companheira, a atriz Mayara Magri, 42, aceitou o convite da Record e, hoje, figura em segundo no Ibope com a nova versão de A Escrava Isaura, novela que ele também havia dirigido na Globo em 1976. Prestes a fazer 70 anos, pai quatro vezes, dois casamentos, Herval fuma cigarro sem nicotina – US$ 7,50 o maço – numa velocidade de fazer inveja a qualquer enfartado, refresca a alma cuidando de plantas e tem como hobby criar pássaros exóticos – são mais de 200. “Regar plantas é quando me sinto melhor, não penso em nada”, diz ele.

O que aprendeu na Record?
Não tinha nada aqui. Tô com a mesma sensação quando criei o núcleo das 18h (na Globo), abrindo mercado de trabalho. Conquistamos audiência, mas ela é muito maior do que o Ibope acusa. (A Escrava Isaura) Dá 13 pontos de média. Tomamos o lugar do Silvio Santos (segundo no horário). Eu queria incomodar mais a Globo, mas com a outra novela vou incomodar. Vou fazer a história Três Damas (da obra de José de Alencar), em maio, com um elenco feminino maior, homens bonitos. A história é mais cativante, as roupas serão mais bonitas, valorizarão mais a mulher.

O fato de ser exigente o torna incompreendido?
Sou rígido e exigente por uma questão profissional. Não misturo as coisas. Vivo com a Mayara (Magri, atriz) e houve uma mudança de texto na Escrava porque um dos atores sofreu um acidente (em dezembro, Lugui Palhares caiu do cavalo). Aí, ela me disse: “Tenha um pouquinho de paciência com a gente, hoje, que o texto está todo mudado”. Paciência eu tenho, mas só de saber que terei problemas já fico... Eu não grito, faço cara feia, de reprovação. A Yara Cortes, que fez Dona Xepa, não me entendia, achava que eu protegia a minha ex-mulher (Nívea Maria) pelo tamanho do close que dava nela.

Como se sente perto dos 70?
Intelectualmente, não me sinto com 70. Fisicamente não sou o mesmo. Não agüento mais correr, canso logo. Agora melhorei porque troquei o marcapasso. Coloquei um desfibrilador, há dois meses, que é genial. O Lugui se acidentou e fiquei muito nervoso. Tive dois enfartes dormindo, o aparelho deu os choques e segurou. Quando acordei, a Mayara estava em cima de mim, gritando: “Herval, Herval”. Troquei o marcapasso grande por essa coisinha de desfibrilador graças a Mayara. A Mayara salvou a minha vida. Ela é uma companheirona, me incentiva, diz: “Vai lá, briga, você vai ganhar mesmo”.

Como é viver maritalmente de novo aos 70?
Há muitos anos, tive uma queda pela Mayara e ela por mim. Mas eu tinha uma filha de 4 anos (Vanessa, hoje com 24). Não tinha como me separar. Respeitei a regra do jogo e vivi mais um tempo com uma pessoa (Nívea) com quem não me dava bem. Em dezembro (de 2003), procurei a Mayara, fomos nos conquistando. Eu ficava em hotel e ela, na casa dela. Chegou um dia, na casa dela, que falei: “Não vou mais para hotel. Vou ficar aqui”. Me emprestei na casa dela! Ela foi deixando e estou aí. Se tudo der certo... eu tenho muito medo da palavra casamento. Quando é oficializado no papel, as coisas são ruins. Tive uma separação muito ruim.

Está separado ou divorciado da Nívea Maria?
Para fazer o divórcio consensual, paguei caríssimo. Fiquei com uma casa. Me separei em 2002 e levei o ano seguinte todo pagando e sem trabalhar. No total, paguei R$ 80 mil para a advogada, R$ 450 mil em dinheiro, US$ 16 mil dólares e cinco apartamentos para a Nívea. No total, foi US$ 1,5 milhão para me ver livre de uma história de 27 anos. Quando acabou, foi um alívio.

Nívea disse que saiu de casa com data determinada por você.
Um dia a encontrei num supermercado e disse: “Toma cuidado com o que diz. Não está me agradando o papel de vítima que está fazendo. Se fizer muito esse papel, vou soltar merda no ventilador”. Ela foi muito legal comigo, quando tive o enfarto. Quando me levantei, ela não era a mesma. Não consigo me lembrar das coisas boas. A princípio, tive muita mágoa e, de repente, perdi esse sentimento. Não tenho nenhuma ligação com a Nívea, não saberia o que conversar com ela.

Por que acabou?
Ela deixou de gostar de mim. No dia 3 de março (de 2002) – ela faz aniversário em 7 de março –, eu disse: “Faz um ano que você não me dá um beijo”. Ela me disse: “E não vou dar nunca mais, porque não quero”. Levei-a para Aruba, para ver se melhorava, mas foi pior. Ela me fez dormir no chão. Um dia, eu esbarrei nela de noite, sem querer. Ela me deu um pontapé, me machucou. Dei tanta sorte porque o dinheiro que investi na viagem, cerca de US$ 8 mil, recuperei no cassino. Demorou dias para terminarmos.

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