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Yann Martel se inspirou em Max e os Felinos, de Moacyr Scliar
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Romance
A Vida de Pi
Deixando a polêmica do plágio à parte, livro
de Yann Martel é fluente e surpreendente
Mariane Morisawa

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Vencedor do Booker Prize em 2002 por A Vida de Pi (Rocco, 356 págs., R$ 39,50), Yann Martel alcançou fama no Brasil por outro motivo. Aqui, ele ficou conhecido como o escritor que plagiou Moacyr Scliar. Na “Nota do Autor”, o canadense escreve: “Quanto à centelha de inspiração, devo-a a Moacyr Scliar”. O próprio autor gaúcho disse ter encontrado apenas a mesma idéia inicial de seu Max e os Felinos, em que um judeu sobrevivente de um naufrágio convive com uma pantera numa balsa. No livro de Martel, um adolescente indiano está num bote com um tigre. O imbróglio foi maior porque o canadense disse que havia lido uma resenha negativa de John Updike sobre Max e chamou Scliar de escritor menor. Polêmica deixada de lado, a verdade é que a premissa é muito boa.

Pi é o indiano Piscine Patel, filho do administrador do zoológico que convive com animais desde pequeno. Diz-lhe o pai: “Quero que entendam que não devem nunca... em quaisquer circunstâncias... tocar num tigre”. A questão é que o singular garoto, que abraça ao mesmo tempo o cristianismo, o islamismo e o hinduísmo, numa tradução perfeita da Índia, vê-se num bote justamente com o tigre Richard Parker, mais um orangotango, uma hiena e uma zebra, quando o navio em que estava com a família naufraga.

O romance passa a ser um fluente e surpreendente estudo das relações de Pi com os animais e a luta pela sobrevivência de todos. A tensão de A Vida de Pi atraiu a atenção do cineasta M. Night Shyamalan. Ele, que é da mesma cidade do personagem, Pondicherry, deve filmar o livro no ano que vem. Tensão em alto-mar