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Degustação
Luis Correa

O chef moderniza a cozinha portuguesa do aristocrático
Tavares, citado no romance Os Maias

Fábio Farah

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Fotos: Claudio Gatti
“Lascas de Bacalhau sobre Purê de Batata com Azeitonas Pretas e Lulinhas Salteadas em Azeite e Orégano”

Sentado à mesa no Café Tavares, Ega deixou o jornal de lado quando chegou o bife, “fumegante, chiando na frigideirinha de barro (...). O bife era excelente: e depois d’uma perdiz fria, d’um pouco de doce de ananás, d’um café forte, Ega sentiu adelgaçar-se enfim aquele negrume que desde a véspera lhe pesava n’alma (...)”. Como o personagem de seu livro Os Maias, o escritor Eça de Queirós também apreciava os pratos que saíam da cozinha do Tavares, em Lisboa. Ao escritor se unem nomes como Federico Fellini, Jorge Amado e James Joyce.
Fotos: Claudio Gatti
O chef Luis Correa e o advogado que reformou o tradicional Tavares. Ao lado, pargo aromatizado com louro e limão: leveza. Abaixo, joelho de porco lacado com mel e pimenta: contraste entre o doce e o picante

Fundado em 1784, o restaurante foi comprado pelo advogado José Pereira dos Santos há dois anos, passou por reformas e foi reaberto ao público em 5 de janeiro do ano passado. Em São Paulo, no Las Palmas Restaurante, no Gran Melià Mofarrej, os gourmets d’além-mar puderam apreciar as tendências da alta gastronomia portuguesa pelas mãos do jovem chef Luis Correa, 26, que está à frente da cozinha lusa do Tavares.
Fotos: Claudio Gatti

“Lascas de Bacalhau sobre Purê de Batata com Azeitonas Pretas e Lulinhas Salteadas em Azeite e Orégano” é uma releitura do tradicional “Bacalhau à Zé do Pipo”. Porém, ao contrário da inspiração, é um prato suave, no qual as lulas salteadas enriquecem a composição com uma textura gelatinosa. A criação atinge uma harmonia sublime: todos os sabores tocam o paladar, sem nenhum excesso. “A tendência é seguir a cozinha da região de Alentejo, onde as especiarias fortes, como a pimenta, são substituídas por ervas aromatizantes suaves”, diz o gourmet José Pereira. Português com suavidade


Sabores

• Altaïr 2002
Produzido pelas mãos do enólogo francês Pascal Chatonnet, este Grand Cru chileno possui cortes de Cabernet Sauvignon (86%), Carmènere (7%) e Merlot (7%). Seus aromas tostados se compõem com os de licor de framboesa e de cassis. Na boca tem um bom ataque e é envolvente. O “Altaïr 2002” (R$ 380, na Grand Cru) é um vinho elegante e de personalidade.
• Sideral 2002

Este tinto (R$ 190, na Grand Cru) também é proce-
dente da vinícola chilena de Altaïr, uma união entre o Château Dassault e a holding Quiñenco. Produzido com cortes de Cabernet Sauvignon (70%), Merlot (20%) e
Petite Syrah, Cabernet Franc e Carmènere (10%), é
um vinho que passou 12 meses em barris de carvalho francês novo. Os aromas lembram geléia de frutas vermelhas e baunilha. Na boca tem boa intensidade,
com notas minerais que se evidenciam.

• Reserva Especial

Os quatro programas sobre vinhos apresentados por Renato Machado na GNT/Globosat, em 2002, foram lançados em um único DVD (R$ 38, no site da SomLivre, 210 min). No documentário Reserva Especial, o jornalista percorre as tradicionais regiões produtoras na França, visitando diversos châteaux e mostrando o que faz dos franceses os vinhos mais prestigiados do mundo. No DVD há extras de como escolher, guardar e servir os vinhos, entre outros.