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A nova Cinderela da moda
De malas prontas para Nova York, Camila Finn, 13 anos, mudou
a vida da família ao vencer concurso de modelos e quer ser a
primeira brasileira a ganhar o Ford Supermodel of the World
texto: Jonas Furtado
foto: Piti Reali

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Camila ganhou R$ 150 mil em contratos de trabalho
por vencer o concurso brasileiro e disputará US$ 250
mil na final mundial. Seu pai, que era vendedor, deixou
o emprego para acompanhar a filha
Há dois meses, Camila Finn era uma menina de 13 anos como tantas outras do interior de São Paulo: nunca tinha viajado de avião, não gostava de usar maquiagem e curtia mesmo pular elástico e jogar bola com os amigos na rua. A beleza singular era o diferencial entre as adolescentes. Incentivada por uma caça-talentos da cidade de Botucatu, onde nasceu e mora, ela fez um book e inscreveu-se no concurso Supermodel Brazil, da Ford Models, que reuniu 500 mil candidatas de mais de 800 municípios do País. No dia 8 de novembro, Camila tornou-se a primeira paulista a vencer o evento e ainda faturou R$ 150 mil em contratos de trabalho para os próximos quatro anos.

“Nunca brinquei de modelo, nunca pensei em ser uma. Mas estou gostando. Houve mudanças, lógico. Sinto bastante falta da minha mãe, da minha avó e da minha irmã. Sei que vai chegar uma hora em que não vou mais poder ficar perto delas”, afirma Camila, que na sexta-feira 7 viaja para Nova York para, no dia 12, tentar o que tops renomadas como Liliane Ferrarezi, Mariana Weickert e Luciana Curtis não conseguiram: ser a primeira brasileira a ganhar o Supermodel of the World, final mundial organizada pela Ford Models americana que reunirá as modelos escolhidas nas seletivas de 54 países. A vencedora leva a bolada de US$ 250 mil. Independente do resultado, ela já arrumou as malas para ficar por lá bem mais do que uma semana. “O Décio (Ribeiro, diretor executivo da Ford Models no Brasil) já avisou que provavelmente terei de morar em Nova York”, conta.

A mudança da filha para a América era o grande medo da mãe de Camila. Vera Finn não queria que sua menina se tornasse modelo justamente para não ficar longe dela. “Camila nunca tinha ido ao vizinho sem avisar. Quando a anunciaram como a vencedora do Supermodel, minha esposa ficou triste pois achou que estava perdendo a filha”, conta Rogério, o pai, que levou Camila para fazer as fotos do book sem que Vera soubesse. Ele administrará a carreira dela e a acompanhará em seus novos compromissos para dar-lhe suporte familiar e psicológico.

A reviravolta na vida de Camila será em uma guinada na condição financeira da família. Vera é auxiliar de serviços gerais na escola onde a filha estuda. Rogério trabalhava na Coca-Cola na área de vendas até decidir acompanhar Camila em seus compromissos. Eles podem se preparar também para outras mudanças. “Não tenho namorado. Mas as paqueras na escola aumentaram. Os meninos estão mais assanhados”, diz a modelo, enquanto o pai se diz pronto para o assédio. “Uma amiga nossa falou que agora vai estar cheio de gavião em volta. Mas estou tranqüilo, tenho uma espingarda bem grande guardada”, diverte-se Rogério.
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