Entrevista  
‘‘O Nelson (Motta) faz muita
coisa, tem muito talento, se
mexe muito, então precisa
de alguém com tempo integral
para organizar a vida dele’’
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CONTINUAÇÃO

Qual é o grande
luxo hoje em dia?

• Mas você considera
a brasileira elegante?
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Costanza Pascolato
‘‘Luxo é misturar coisas caras e baratas’’
continuação

Mas você considera a brasileira elegante?
Eu não sei bem o que é uma elegância, mas as brasileiras fazem sucesso no mundo inteiro porque têm bossa, têm ginga e são hiperfemininas. Essa coisa da feminilidade, que eu não sei explicar em quatro palavras, é fundamental no comportamento, no jeito que se mexe, no gesto, no sorriso.

Isso reflete nas modelos que o Brasil está exportando?
Claro. Não é difícil perceber quem é a brasileira quando estão todas juntas numa agência à espera de um teste ou mesmo no backstage
dos desfiles de moda. São todas lindas de morrer mas você vê a diferença. A européia, especialmente a do leste europeu, tem um olhar triste, e as demais são quietas. A brasileira, ao contrário, é animada, brinca, puxa conversa, faz graça, faz poses, caras e bocas e des-
contrai o ambiente. São mesmo encantadoras.

Que tipo de conselhos você dá às aspirantes a modelo em seu novo livro?
Falo como elas devem se defender numa profissão que exerce uma pressão enorme quando elas ainda estão muito novas. Quem é você
aos 14 anos? Elas vivem longe de casa dividindo apartamento com outras meninas no Japão, nos Estados Unidos, na Europa, sem falar línguas e sem ter tido uma educação especial para isso. É uma
solidão que ninguém imagina.

Quais são os problemas que elas têm de enfrentar?
O primeiro problema grave que todas enfrentam é o da rejeição. Eu sempre digo a elas no início da carreira: você sabe o que você vai ser? Você vai ser um produto, você não é uma pessoa mais, você é apenas um cabide. É melhor ela pensar assim, se despersonalizar, para não ficar tão vulnerável à rejeição.

E acontece com todas as modelos essa rejeição?
O tempo todo. A Gisele Bündchen, que é esse fenômeno, foi e ainda hoje é rejeitada, só que agora por causa do cachê, que é muito alto. Então ela acaba perdendo muitos trabalhos. No começo da carreira também, ela passou um ano morando em Nova York sem fazer nada. É assim mesmo.

Como ocorre a rejeição?
Os responsáveis pela escolha das modelos começam a falar delas como se elas não estivessem ouvindo. Um fala que ela não serve, outro diz que o nariz é grande, que a perna é curta, que o cabelo é isso ou aquilo. Então elas não devem se julgar pelo que ouvem. Elas não devem se sentir alijadas do mundo, rejeitadas, mas devem, ao contrário, ter perseverança e se aprimorar cada vez mais, assim como fez a Gisele.

Você é a favor das cirurgias plásticas?
Até uma certa idade sim, depois não. Eu, por exemplo, não posso mais fazer. Fiz em 1983, aos 40 anos. Tirei as bolsas dos olhos. Mas acho que hoje as pessoas fazem plástica quando estão infelizes.

Qual a alternativa?
Eu prefiro as soluções como botox e preenchimento com gorduras só para ficar com a carinha mais descansada. A plástica é radical e definitiva. E se você não gostar? Eu ficaria muito infeliz. Também não quero coisas impossíveis. Não quero, por exemplo, me casar com uma pessoa que tem 30 ou 20 anos menos do que eu. Tenho outros interesses que são totalmente satisfatórios e agradáveis, tanto que me sinto muito feliz. Estou vivendo um dos períodos mais tranqüilos e felizes da minha vida.

Você está namorando?
Não. Estou sozinha mas a essa altura acho que é melhor assim. Como dizia (a atriz) Marlene Dietrich: “Too young, what a pity, too old, what a pity” (muito nova, que lástima, muito velha, que lástima). Você tem que ficar bem para ser aprovada por aquela pessoa que você encontrou agora. Se eu tivesse crescido na vida com uma pessoa que me conhece há muito tempo e que me aceita como eu sou, OK. Mas isso na minha idade dá muito trabalho.

O Nelson Motta, com quem você foi casada durante seis anos, vai se casar com uma mulher 30 anos mais jovem.
Mas homem é diferente porque é a mulher que se ocupa dele, não é ele que vai cuidar dela. O Nelson faz muita coisa, tem muito talento, se mexe muito, então precisa de alguém com tempo integral para organizar a vida dele. Acho que ela nem trabalha (Adriana Penna foi até outubro do ano passado consultora de marketing da Sony Music).

Isso é injusto, na sua opinião?
Ah, eu nem julgo. Mas para que eu quero alguém? Não estou nem aí.

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