| Mas você
considera a brasileira elegante?
Eu não sei bem o que é uma elegância,
mas as brasileiras fazem sucesso no mundo inteiro porque têm
bossa, têm ginga e são hiperfemininas. Essa coisa
da feminilidade, que eu não sei explicar em quatro
palavras, é fundamental no comportamento, no jeito
que se mexe, no gesto, no sorriso.
Isso reflete nas modelos que
o Brasil está exportando?
Claro. Não é difícil perceber quem é
a brasileira quando estão todas juntas numa agência
à espera de um teste ou mesmo no backstage
dos desfiles de moda. São todas lindas de morrer mas
você vê a diferença. A européia,
especialmente a do leste europeu, tem um olhar triste, e as
demais são quietas. A brasileira, ao contrário,
é animada, brinca, puxa conversa, faz graça,
faz poses, caras e bocas e des-
contrai o ambiente. São mesmo encantadoras.
Que tipo de conselhos você
dá às aspirantes a modelo em seu novo livro?
Falo como elas devem se defender numa profissão que
exerce uma pressão enorme quando elas ainda estão
muito novas. Quem é você
aos 14 anos? Elas vivem longe de casa dividindo apartamento
com outras meninas no Japão, nos Estados Unidos, na
Europa, sem falar línguas e sem ter tido uma educação
especial para isso. É uma
solidão que ninguém imagina.
Quais são os problemas
que elas têm de enfrentar?
O primeiro problema grave que todas enfrentam é o da
rejeição. Eu sempre digo a elas no início
da carreira: você sabe o que você vai ser? Você
vai ser um produto, você não é uma pessoa
mais, você é apenas um cabide. É melhor
ela pensar assim, se despersonalizar, para não ficar
tão vulnerável à rejeição.
E acontece com todas as modelos
essa rejeição?
O tempo todo. A Gisele Bündchen, que é esse fenômeno,
foi e ainda hoje é rejeitada, só que agora por
causa do cachê, que é muito alto. Então
ela acaba perdendo muitos trabalhos. No começo da carreira
também, ela passou um ano morando em Nova York sem
fazer nada. É assim mesmo.
Como ocorre a rejeição?
Os responsáveis pela escolha das modelos começam
a falar delas como se elas não estivessem ouvindo.
Um fala que ela não serve, outro diz que o nariz é
grande, que a perna é curta, que o cabelo é
isso ou aquilo. Então elas não devem se julgar
pelo que ouvem. Elas não devem se sentir alijadas do
mundo, rejeitadas, mas devem, ao contrário, ter perseverança
e se aprimorar cada vez mais, assim como fez a Gisele.
Você é a favor
das cirurgias plásticas?
Até uma certa idade sim, depois não. Eu, por
exemplo, não posso mais fazer. Fiz em 1983, aos 40
anos. Tirei as bolsas dos olhos. Mas acho que hoje as pessoas
fazem plástica quando estão infelizes.
Qual a alternativa?
Eu prefiro as soluções como botox e preenchimento
com gorduras só para ficar com a carinha mais descansada.
A plástica é radical e definitiva. E se você
não gostar? Eu ficaria muito infeliz. Também
não quero coisas impossíveis. Não quero,
por exemplo, me casar com uma pessoa que tem 30 ou 20 anos
menos do que eu. Tenho outros interesses que são totalmente
satisfatórios e agradáveis, tanto que me sinto
muito feliz. Estou vivendo um dos períodos mais tranqüilos
e felizes da minha vida.
Você está namorando?
Não. Estou sozinha mas a essa altura acho que é
melhor assim. Como dizia (a atriz) Marlene Dietrich:
“Too young, what a pity, too old, what a pity”
(muito nova, que lástima, muito velha, que lástima).
Você tem que ficar bem para ser aprovada por aquela
pessoa que você encontrou agora. Se eu tivesse crescido
na vida com uma pessoa que me conhece há muito tempo
e que me aceita como eu sou, OK. Mas isso na minha idade dá
muito trabalho.
O Nelson Motta, com quem você
foi casada durante seis anos, vai se casar com uma mulher
30 anos mais jovem.
Mas homem é diferente porque é a mulher que
se ocupa dele, não é ele que vai cuidar dela.
O Nelson faz muita coisa, tem muito talento, se mexe muito,
então precisa de alguém com tempo integral para
organizar a vida dele. Acho que ela nem trabalha (Adriana
Penna foi até outubro do ano passado consultora de
marketing da Sony Music).
Isso é injusto, na sua
opinião?
Ah, eu nem julgo. Mas para que eu quero alguém? Não
estou nem aí. |