Entrevista  
Ela fez plástica aos 40 anos e
tirou as bolsas dos olhos. “Prefiro as soluções como botox e preenchimento com gorduras
para ficar com a carinha
mais descansada”
‘‘A Gisele Bündchen, que é esse fenômeno, foi e ainda hoje é rejeitada, agora por causa do cachê. No começo ela passou um ano em Nova York sem nada’’
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CONTINUAÇÃO

Qual é o grande
luxo hoje em dia?
• Mas você considera
a brasileira elegante?
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Costanza Pascolato
‘‘Luxo é misturar coisas caras e baratas’’
A consultora de moda diz que hoje é mais importante parecer jovem do que rica, afirma ser possível se vestir bem com pouco dinheiro e, após três casamentos, prefere estar solteira

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Texto: Cecília Maia
fotos: Felipe Barra

A história de Costanza Pascolato com a moda começou por intermédio de seu pai, Michele Pascolato, que fundou a fábrica de tecidos Santaconstancia, hoje comandada por ela. Um dos ícones de elegância do Brasil, Costanza nasceu na Itália e chegou com sua família a São Paulo, em fevereiro de 1946, fugindo da Segunda Guerra Mundial. Aos 65 anos, não tem qualquer constrangimento em declarar a idade, ao contrário de várias mulheres de sua geração. “Acho que estou tão bacaninha”, orgulha-se. Costanza foi casada três vezes – o último casamento, com o compositor, produtor e escritor Nelson Motta, durou seis anos e acabou em 2001 –, é mãe de duas filhas e avó de uma menina e um menino. Integrante da Academia Brasileira de Moda, atualmente roda o País divulgando seu segundo livro, Como Ser uma Modelo de Sucesso, e fazendo palestras. O primeiro, O Essencial, que foi lançado em 1999, dá dicas sobre moda e estilo.

Qual é o grande luxo hoje em dia?
É se tratar e parecer jovem. Esse deve ser o maior investimento da mulher, porque é o que conta, o resto é acessório. A partir daí você deve começar a colecionar coisas que lhe fiquem bem. Eu acho hoje que é melhor ir a uma festa com uma roupa mais velha com que eu me sinta bem e investir mais nos acessórios colocando-os de uma forma especial, que vai ter a minha cara, o meu jeito. Eu não deveria nem falar isso porque vendo tecidos (risos).

O que se usa hoje?
Hoje o luxo é misturar uma coisa cara, um Prada, um Armani, com peças bem-humoradas e baratas de brechó, da C&A, das feiras. Isso é que dá o tom pessoal, o jeito diferente sobre o qual eu estava falando. Hoje conta mais o seu desejo de criar uma maneira diferente de ser do que propriamente desfilar por aí só com roupas de grife.

Quer dizer que é possível fazer bonito usando coisas baratas?
As lojas mais populares, como C&A, Riachuelo, Renner e outras,
estão todas com moda mesmo, não é mais roupa. A verdade é que
hoje você pode se vestir dentro da moda, bonitinha e graciosa, com coisas bem acessíveis. Isso é muito democrático e está aconte-
cendo no mundo inteiro.

O que se usa nas ruas está bonito, na sua opinião?
Eu aconselho as pessoas a se olharem mais no espelho. Vejo cada coisa!! Usam calças justas demais, de tal forma que as que têm o manequim 2 ou 200 usam o mesmo número. Não dá! É uma coisa exagerada isso que existe aqui no Brasil. Se elas soubessem como sofreriam menos e como ficariam mais bem vestidas com números um pouquinho maiores! Eu acho que elas devem ficar exaustas quando chega o fim do dia (risos).

O que você acha das batas que estão na moda?
Achei que as batas não iam pegar no Brasil porque elas são meio largas na cintura. Mas como elas ficaram curtas, deixaram aparecer a barriguinha, que continua sendo o foco das meninas. Assim, as batas ficaram sensuais. Mas eu já acho que elas estão virando lugar comum.

É que as brasileiras têm mania de deixar o corpo à mostra.
Ninguém mostra a pele tão bem como as brasileiras. Vocês não
sabem o que é a diferença entre uma brasileira e uma comum mortal
de outro país (risos).

Qual é a diferença entre as brasileiras e as estrangeiras?
É uma coisa quase impossível de explicar. Acho que aqui no Brasil as mulheres têm mais intimidade com o calor. Usam decotes que uma estrangeira ficaria toda atrapalhada para se mexer, e fazem isso com muita naturalidade! É provocante porque é bonito, não é vulgar. Eu acho que as brasileiras conseguem vestir coisas que em outras mulheres do mundo seriam vulgares, não pela roupa em si, mas pela atitude. E hoje a história da atitude não pode ser desligada da roupa de jeito nenhum.

Como assim?
Cada vez usa-se menos roupa. Imagine uma mulher nos anos 1950, o mesmo clima, mesmo país, só que naquela época elas usavam chapéu, luvinhas e saias rodadas, isso sem falar que no século anterior elas andavam de veludo no Rio de Janeiro. Hoje não. A roupa cobre apenas o corpo, usa-se menos pano, porque na verdade o que vale é a atitude, o corpo bem tratado. Hoje é mais importante você parecer jovem e bem tratada do que parecer rica.

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