Celebridade  
Ronaldo Theobald/AJB
José Serra despontou como liderança política em 1963, quando foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes. O cargo o deixou na mira dos militares e acabou por levá-lo ao exílio. Na volta, enveredou pela política, elegeu-se senador e concorreu à Presidência da República. Em 1º de janeiro de 2004, tomou posse como prefeito de São Paulo.
Divulgação
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José Serra

por Diógenes Campanha

Em 1963, um jovem aluno da Escola Politécnica da USP era eleito
para a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). Aos 21 anos, José Serra dava continuidade a uma trajetória política iniciada
em 1962, quando foi o principal organizador de uma greve na sua universidade. A chegada à presidência da UNE fez com que mudasse de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde ficava a sede da entidade, e provocaria transformações ainda maiores em sua vida. Quando o golpe militar derrubou o governo de João Goulart, em 1º de abril de 1964, e a sede da UNE foi metralhada e incendiada, Serra começou a ser perseguido. Ficou escondido na casa de um amigo e, mais tarde, passou três meses refugiado na embaixada da Bolívia, esperando para sair do País. Serra morou na França, no Chile e nos Estados Unidos. No país latino-americano, conheceu a bailarina Mônica Allende, com quem se casou e teve dois filhos, trocou a engenharia – que foi impe-
dido de concluir no Brasil – pela economia e enfrentou o golpe que conduziu Augusto Pinochet ao poder, em 1973. Passados mais de 30 anos, Serra acaba de assumir a prefeitura de São Paulo e pretende trazer para o cargo os ensinamentos dos anos de chumbo. “Minha geração tem a marca das profundas mudanças dos anos 60 – mudan-
ças políticas, sociais e até de comportamento. Nessas décadas que separam os tempos da UNE do momento atual, aprendemos que os métodos de transformar a realidade devem ser outros”, diz o prefeito de São Paulo. “Mas a indignação e a vontade de ajudar a melhorar a vida da população ainda são as mesmas.”