14 de fevereiro de 2000
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Teatro - Comédia

Tango, Bolero e Cha Cha Cha
Encontro entre filho e pai transexual cria situação almodovariana

Ida Vicenzia

Tango, Bolero e Cha Cha Cha é uma comédia de boulevard com desfecho de teatro de revista. O gênero comédia foi criado para divertir, não para incitar grandes reflexões. Mas, curiosamente, a estréia dessa semana no Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro, de autoria de Eloy Araújo, nos leva a refletir. Não deixa de ser ousada a opção de Araújo: nem Almodóvar, em seu premiadíssimo Tudo sobre Minha Mãe, conseguiu resolver o tão delicado problema de um filho aceitar um pai transexual. Preferiu matar os dois. Em Tango, Bolero e Cha Cha Cha só a mágica, literalmente, resolve a situação.

O mago Peter D'Alessandro (Paulo César Grande) é quem consegue fazer com que Denis, o filho (estréia de Miguel Thiré, talentoso ator que honra seu pai na vida real, Cecil Thiré), aceite o pai transexual.

Dirigida por Bibi Ferreira, a peça corre o perigo de atravessar o tênue fio que separa a inspiração da apelação - como na cena da magia. Felizmente, a primeira é quem ganha. Tango, Bolero... é divertimento puro. Em linhas gerais, a história trata do retorno, após dez anos de ausência, de um pai que foi para Paris e Nova York e se transformou na estrela Lana Lee. Ao retornar para ver o filho, as situações de comédia se sucedem, algumas muito bem resolvidas - como a resistência da esposa Clarice (Maria Helena Dias) em aceitar a realidade. Momentos de boa comédia também a cargo de Yvone Hoffman, a atrapalhada empregada Genevra, e Paulo César Grande que, aproveitando a onda da novela Terra Nostra, diverte-se fazendo de seu personagem um italiano de sotaque bem "global".

Destaque muito especial merece o trabalho de Edwin Luisi representando o transexual Daniel, ou Lana Lee. A cena do reconhecimento, quando pela primeira vez aparece travestido com os figurinos de Kalma Murtinho, é antológica. Vale a peça. Únicos reparos são a lentidão da troca dos cenários de José Dias e a iluminação de Paulo César Medeiros, que na cena final se mostrou tímida.

Bom divertimento
Até dia 31/3 - Teatro Ginástico - Av. Graça Aranha, 187 - Rio de Janeiro

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