|
A
urgência da notícia e o esmero da reportagem
Na confecção
semanal de Gente, existem reportagens levantadas com a paciência
de um monge budista e outras realizadas a toque de caixa,
premidas pela urgência do fato. Duas histórias
que estão na capa desta edição ilustram
esta diferença. Na manhã de segunda-feira 7,
o repórter Rodrigo Cardoso mal teve tempo de chegar
à redação e foi despachado para Uberlândia,
onde o cantor Alexandre Pires atropelara um motoqueiro. Em
menos de 24 horas, ele ouviu familiares do cantor e da vítima,
policiais e testemunhas que ajudaram a reconstituir a noite
de Alexandre na véspera do acidente. E ao meio-dia
de terça-feira 8 despachou para São Paulo o
relato que está à página 78.
No outro
extremo, faz dois meses que a chefe da sucursal do Rio, Adriana
Barsotti, e a repórter Rosângela Honor obtiveram
a informação de que o escritor Paulo Coelho
tinha se tornado o segundo autor mais vendido em todo o mundo,
o que justificaria uma boa reportagem. Receptivo, Paulo Coelho
ficou de marcar uma entrevista, mas seus compromissos internacionais
a adiaram seguidamente, até que no final de janeiro
ele agendou o encontro com a revista. Por telefone, quis saber
previamente quanto tempo a entrevista e a sessão de
fotos consumiriam. Também quis se informar se Rosângela
tinha lido a sua obra.No dia marcado, Paulo Coelho foi pontual.
Antes de iniciar a entrevista, pré-determinou o lugar
em que a repórter se sentaria, na cabeceira da mesa.
Quinze minutos antes do término previsto, advertiu:
"Olha o que combinamos. Seu tempo está acabando".
Ele próprio desrespeitou o limite diante da fluência
da conversa. Terminada a entrevista, a equipe desceu para
a praia para completar a sessão com o fotógrafo
André Durão.
Mas a
reportagem ainda teria mais um capítulo. Na quarta-feira
2, Paulo Coelho estava na Suíça, participando
do Fórum Econômico de Davos, e acabara de se
encontrar com Bill Clinton. Recebeu então um recado
de Rosângela de que precisaria contar mais esta história
para finalizar a reportagem, com o aviso de que poderia ligar
a qualquer hora para a casa da repórter. Já
passava de meia-noite, horário do Brasil, quando ele
fez a ligação. "Estou exausto, tive um
dia cheio e só vou falar por alguns minutos",
anunciou. Os poucos minutos viraram meia hora.
Luciano
Suassuna
Diretor de Redação
|