Entrevista  
Supla desmente os rumores
de que teria agredido Luis
Favre, marido de sua mãe:
“Um bosta qualquer colocou
isso na internet ou saiu em
algum lugar. Me dou bem com o Favre, do pouco que falo com ele”
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CONTINUAÇÃO

Por que um disco
só com versões?
• Imagina-se aos 50 anos com
o mesmo visual e estilo?
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Supla
‘‘Vou estar do mesmo jeito aos 50’’
O roqueiro lança CD de versões, aos 38 anos se acha longe da crise dos 40 e se diz irritado com a invenção de boatos de que teria agredido Luis Favre, marido da prefeita Marta Suplicy

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Texto: Jonas Furtado
fotos: wellington cerqueria

Para uns, ele é um artista autêntico, que não mede palavras para expressar suas opiniões. Para outros, é o astro da primeira Casa dos Artistas, e filho da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e do senador Eduardo Suplicy. O polêmico Supla, 38 anos, fica incomodado com os rótulos colados à sua imagem, mas diz não dar a mínima para seus críticos. “Quero que se f...” , afirma. Além de fazer participações em filmes, o roqueiro acaba de lançar um novo CD, Menina Mulher, um álbum temático, só com versões de suas músicas prediletas e letras sobre mulheres e relacionamentos amorosos. O nome é inspirado em sua namorada, a modelo Camila Dubay, 19 anos. No dia 12 de dezem-
bro, ele faz o show de estréia do CD em São Paulo, no hotel Unique.

Por que um disco só com versões?
No começo do ano lancei um disco de 23 músicas inéditas, de minha autoria com alguns parceiros, e me senti no direito de agora lançar um CD só com versões de músicas de que gosto. Há alguns anos vi um disco da namorada do Sean Lennon que só falava de comida. Achei interessante e resolvi fazer também um disco temático, que fala só de mulheres e relacionamentos.

As histórias aconteceram com você?
Várias delas. Tem uma versão de “I Won’t Let You Down” que a história é real. Namorava uma menina que falou para mim: “Sou uma garota mui-
to irada, você não pode me dar o fora”. Coloquei na letra: “Você me liga e não diz nada com nada, me xinga, grita, sou uma garota irada” (risos). Acho que ela vai se reconhecer na letra, mas não tem nada demais, porque não digo o nome dela. Nada pessoal. E tem histórias que são pura imaginação, mesmo, como “Tina”, que fala sobre duas lésbicas.

Tem alguma em que você se dá mal?
Olha, eu já me dei mal em amor. Já gostei de uma mina que não gostava de mim, depois a história mudou e eu não queria mais. Não entrou essa especificamente, mas tem uma versão do Blondie que é sobre aquela hora que você fica esperando no telefone e a pessoa
nunca liga. Acontece bastante.

Seu irmão João participou do disco?
Uma miniparticipação. Ele faz um solo maravilhoso na música “Tititi”. Nossos gostos musicais nunca foram motivo de briga na infância, adolescência, acontece mais agora. A gente faz um show de bossa nova juntos: quero tocar umas músicas, e ele, outras – que até gos-
to, mas às vezes não estou com saco para tocar “meu coração, não
sei por quê... (cantarola)”. Deixo ele tocar sozinho e entro depois.
Mas tudo com respeito.

As vendas dos últimos CDs não foram boas se comparadas com as de Charada Brasileiro (lançado após a Casa dos Artistas, o álbum vendeu 600 mil cópias). Isso preocupa?
Não. Aquela vendagem foi estonteante porque o CD custava R$ 9,90, era vendido nas bancas, e eu aparecia todo dia na tevê mostrando o negócio. Em Político e Pirata (50 mil CDs vendidos), não tive sorte: lancei pela Abril Music e na seqüência a gravadora faliu. Para não perder o fio da meada, logo lancei o Bossa Furiosa (25 mil vendidos). Era um disco mais delicado, mistura de punk com bossa nova, em inglês. Menina Mulher está indo muito bem, tocando direto nas rádios. Você não precisa estar sempre estourado. É importante, como artista, fazer coisas diferentes, que as pessoas não esperam.

Como foi filmar O Poeta da Vila?
É um filme dirigido pelo Ricardo Van Steen. Formo um par malandro com a Camila Pitanga, sou amante da namorada oficial do Noel Rosa. Estou de cabelo preto, liso. Tive até aula de gafieira. Foi engraçado, curti as aulas. Já tinha sambado antes porque sou brasileiro. Sou boleiro, aprendo rápido.

Aprovaram o samba do Supla?
Foi decente, eu acho. Esse ano participei do filme da Eliana e fiz também o Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Pretende fazer outros filmes?
Sim. Penso até em fazer um filme da minha história, seria bem louco. Dirijo todos os vídeos que faço. Ano que vem quero lançar um DVD, Supla Around the World, porque tenho clipes filmados em todo lugar do mundo, Tóquio, Berlim, França, Havaí, Nova York, Los Angeles, Las Vegas, São Paulo e Rio.

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